Postagens

Mostrando postagens de outubro, 2014

"Pedra"

Imagem
Chove para caramba, e estou na parada de ônibus, me protegendo da água, que cai em diagonal. Nisto olho pro lado e vejo uma senhora caminhando em minha direção, a mão esquerda fechada. Ela segura algo, que não consigo visualizar de longe. Já próxima de mim, ela vai falando algo e vejo que carrega uma enorme pedra. Puta que pariu, serei agredido pela mulher. Tiro os fones de ouvido e me preparando pro golpe, quando ela diz: "Meu rapaz, tu viu o que estou carregando?" "Sim, uma pedra". "Pois é, com esta chuva decidi pegar esta pedra para me defender destes carros que passam e fazem questão de jogar água na gente", diz ela. "Aí quando eles vem vindo, já mostro a pedra e eles desaceleram. Claro que não jogarei uma pedra no vidro, mas dá uma vontade enorme". Olho pra ela e confesso que já pensei em fazer isso, mas eu jogaria a pedra. Não ficaria só na ameaça, mas nunca cheguei a pegar uma pedra no chão para me proteger. "Bem, meu filho, um bom ...

"Eleições"

Imagem
Em 1994 trabalhei nas eleições para governador e presidente. Bem, sempre fui da ideia de que não se pode dar poder a quem não sabe lidar com ela. E foi o que aconteceu com a presidente de mesa onde fui mesário. Logo ao chegar na sessão eleitoral às seis e meia da manhã, veio uma pirralha cagando ordens. "Fulano, você senta lá", "sicrano, você fica ali", "etc, etc". "O que eu faço?", pergunto. "Ah, tu pode sentar ali", disse a guria, apontando uma mesinha, sem nada em cima. Sentei e fiquei ali esperando começarem os trabalhos. Às oito horas começaram a votação e nada de eu ser chamado para fazer algo. Duas horas depois, lá estava eu, na minha mesinha, e nada, nada. E ela berrando com os outros mesários, cagando regras e ordens. "Então, no que posso ajudar?", pergunto. "Fica aí", ordenou a guria. Meio-dia, ela me olha, e diz: "Cara, tu pode ir almoçar agora. Mas volta em uma hora, viu?", ordena. "Ah, ...

"Mesário"

Imagem
Estamos em 2002. Estou em casa numa terça-feira, por volta das 22h, quando toca o interfone. Atendo e do outro lado da linha, escuto: "É o carteiro". Ué, o que desejaria um carteiro àquela hora da noite? Um golpe, seria assalto? Não libero a entrada do cara no prédio e desço a portaria. E quando chego no térreo, vejo mesmo um carteiro do lado de fora. Abro a porta para ele. "Sim?", pergunto. Ele me passa um envelope e a prancheta com um papel para assinar. "O que é?", questiono. "É do TRE". Então verifico que estou sendo convocado para trabalhar de mesário nas eleições. E simplesmente me recuso a assinar o papel e devolvo o envelope. Ah, não, brincadeira. Mais uma vez. Desde 1990 me pegavam para trabalhar de mesário e eu estava de saco cheio. "Mas o senhor tem de assinar", insiste o carteiro. "Não, não", digo. Ele pega os papéis, coloca na bolsa e escreve algo no papel que me recusei a assinar. E vai embora. Duas semanas de...