“Tombo”
Pré-adolescente, ganhei uma bicicleta Caloi 10 de meu pai. E sim, o presente foi para missões suícidas pelas ruas de Porto Alegre e Viamão no início da década de 1980. Costumava descer as lombas sem segurar o guidom da bike, e incrivelmente nunca me estoporei nesta manobra. Mas dois tombos foram inesquecíveis e muito, muito doloridos. No primeiro, descia uma rua em obras na Santa Isabel, em Viamão, e do outro lado vem em minha direção uma outra bicicleta. E nos chocamos. Eu voo sobre um monte de pedras, levanto e o pai do garoto da outra bicicleta vem em minha direção. “Garoto, entra no carro, precisamos ir pro hospital”, diz ele. Mas eu não quero de jeito nenhum. Afinal estou bem, menos minha bicicleta, toda torta. Até que o carinha me fala: “Guri, tu não está bem, está sangrando”, alerta. Então olho pra baixo, e sai muito sangue de minha mão direita, que foi rasgada quando voei sobre as pedras. Acabo desmaiando ao ver a sangueira, e acordo no hospital. Meu pai do meu lado, e eu leva...