"Salário"
Eu era muito ingênuo. Ou será burro mesmo? Em 1993, aceitei o convite para trabalhar na assessoria de imprensa da Câmara de Vereadores de Viamão. O meu chefe era o vereador Glademir de Moura, o Sarico. Eu tinha de escrever uma página por semana das atividades dos vereadores no jornal Correio Rural. E eu ouvia cada bobagem dos edis e seus projetos. Meu salário era cerca de 500 cruzeiros reais. Isso até eu descobrir a mutreta, quase sem querer. Eu recebia o salário em dinheiro, dentro de um envelope. Quem me entregava era a secretária do Sarico. Bem, uma vez fui lá receber a grana, entro na sala e não tem ninguém. Mas sobre a mesa uma lista dos funcionários e os respectivos salários. Pego o papel e começo a ler, e dou de cara com o meu nome. E o salário, de sete mil cruzeiros reais...caí duro. Nisso, a secretária entra na sala e puxa o papel de minha mão. "Você não tem o direito de olhar isso", grita ela. "Tem coisa errada aí, olha o meu salário...