"Pila, pila"
O frio que estava fazendo hoje pela manhã e a caminhada do final da linha do ônibus até o jornal me fez recordar de uma daquelas figuras lendárias do centro de Porto Alegre há algumas décadas atrás. Nos anos 1970 e 1980 havia um mendigo que ficava sentado ali em frente à prefeitura, todo maltrapilho, sujo, a barba e as unhas grandes, com suas sacolas ao redor do corpo. E ele repetia, com a mão direita estendida: "pila, pila", pedindo uns trocados aos passantes. Era o seu ganha-pão, e assim ele passou anos, acabando sendo apelidado do Mendigo Pila. Então numa manhã fria do inverno de 1988, eu caminhava em direção ao trensurb para pegar o trem que me levaria até Esteio e depois fazer a baldeação num ônibus da Central até a Unisinos (à época o trensurb não chegava em São Leopoldo), quando vi várias pessoas paradas no local onde o Pila costumava ficar. E o mendigo estava lá, só que não foi uma visão agradável, pois ele encontrava-se morto. Naquela noite o frio havia sido tão intenso, que o seu corpo não resistiu e sucumbiu ao gelo da madrugada. Foi enterrado como indigente, pois ninguém sabia nome, idade, nada daquele homem, que assim como na vida, teve um triste fim.
Ele ficava tbm na salgado filho, resta a lenda que ele vivia em um sítio em Viamão e tinha algumas posses pois oriundas das esmolas que ganhava, se é vdd eu não sei mas o povo fala muito.
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