terça-feira, 2 de julho de 2013

“A irmã Parte 4”

A gente termina de jantar, ela fala do ex-noivo dela, do ex-namorado que a trocou por uma amiga, e nesta hora ela já está tomando vinho sem guaraná. Pergunta das minhas ex, de meu livro. Tento não responder, mas o beicinho dela é irresístivel. Até esqueci que o rádio está ligado, bem baixinho. Às vezes ela dança um pouquinho, pede mais vinho, e de repente fica tonta. “Ops, tá na hora de parar. Tá na hora de ir embora”, fala. E eu nem cheguei perto de beijá-la. “Chico, chama um táxi pra mim”. “Mas Julia, tá cedo”. A Julia olha o relógio. “São duas da manhã”. Putz. Sento no braço da poltrona e ela de pé, segurando a taça de vinho. Parece uma obra de arte. “Sério, tenho de ir embora. Tenho de estudar pruma prova na segunda. Chama o táxi, Chico”. Levanto para pegar o telefone, e na passada a puxo para junto de mim, e a beijo. E vejo estrelas. O melhor beijo de minha vida. As nossas línguas se encontram, se debatem, e segundos depois, estamos atirados no sofá. Não falamos nada, não precisa. Coloco as mãos por baixo da blusa dela, e sinto seios enormes, duros. Tiro a blusa dela e “eles” são lindos. A Julia é mignon, então não pesa nada, quando a levanto e a levo pro quarto. (continua)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

“Paraguaio”

A Olivia entra de férias e vai passar 15 dias no Rio de Janeiro. E me diz que pretende voltar bem bronzeada, “ficar bem negona, da tua cor”, brinca. Então lembro de quando comecei a namorar uma loirinha, pele bem alva, alguns anos atrás. E a guria se entusiasma, afinal está namorando um negão. Chega em casa e conta a novidade para a família, pais, irmão. Nada de racismo. Acham legal. E um negão que não é pagodeiro, que gosta de rock. A mãe dela, curiosa: “Minha filha, vou fazer um almoço aqui em casa pra tu trazer o teu namorado”. Recebo o convite e não me assusto. Tudo bem, quando? Ah, domingo, meio-dia. Ok. Lá estarei. No dia combinado, chego bem na hora combinada. Toco a campainha e um carinha de seus 15 anos atende. É o irmão da guria. Ele fica me olhando, olhando, como se não estivesse entendendo nada. “Sim?”. “Sou o Chico”. “Se tu está dizendo”, responde ele, chamando a minha namorada, que aparece correndo, pega a minha mão. “Pai, mãe, o Chico chegou”. Nisso aparecem os pais dela, mais os tios, primos...sim, eu havia virado atração de circo. Mesmo assim, me olham estranho. Cumprimento todos. “Mana?”, chama o irmão. “Sim”, “Tu não falou que estava namorando um negrão?” Silêncio na sala. “O Chico é meio falso, né, ele está mais para amarelão. Mana, tu tá namorando um negrão paraguaio...”, conclui. Tá bom, amarelão...

“A irmã Parte 3”

O relógio marca 9h quando o meu telefone toca. “Chico, estou na esquina da tua rua”. Desço em desabalada carreira os 11 andares do prédio em que moro, saio à rua bem na hora em que a Julia desce do táxi. Fazia frio, então ela vestia um casaco preto, os cabelos presos debaixo de uma boina igualmente preta, contrastando com sua pele bem alva e os lábios vermelhos. A Julia me dá um abraço forte, se erguendo para alcançar meus 1,90m, mesmo com seus sapatos de salto altíssimos. Subimos, pedimos a pizza, e abro um vinho. “Tem guaraná”, pergunta a guria. “Tenho”, respondo, estranhando. Busco o guaraná e alcanço para a guria, que mistura no vinho chileno. Quase tenho um treco. “Se eu não misturar, já viu, né? Me embebedo, e tu vai querer me agarrar”, brinca ela. “Imagina, eu querer te agarrar”. “Sei, Chico Izidro, tu já não acha que a Janice não me falou de tua fama”, sorri ela. PQP. “Vamos ouvir música?”, sugere a Julia. “Claro, o que tu quer ouvir?”. “Tem um pagodinho?”. Ih, fudeu de novo. A Julia começa a fuçar nos cds. “Só tem rock aqui”. Tá, chega de ser babão, penso. “Aqui em casa pagode é proibido”, afirmo. “Tu não vai me deixar sem ouvir um pagodinho”, faz beiço. Merda, merda, a guria é muito linda. “Só se você achar algo no rádio”, digo. Ela levanta, liga o rádio e sintoniza uma rádio de pagode. Aí me olha e solta os cabelos, balançando a cabeça como naqueles comerciais de xampu, revelando uma cabeleira longa, preta, sedutora. Minha nossa senhora. Sou obrigado a perdoar o vinho com guaraná e o pagode, que consigo abstrair. Chega a pizza. (continua)

“A irmã Parte 2”

Resisto a não ficar ligando pra Julia durante a semana, não quero parecer ansioso, embora meu coração esteja quase saindo pela boca. Na sexta-feira sei que tenho de ligar. E o nervosismo? Bem, ele é dono de meu corpo. Pego o telefone, começo a digitar os números e paro. Começo de novo, e paro, E se demorei demais e a Julia já tiver compromisso sábado à noite. Deve ter. Mulher assim não fica sem programação. Bem, seja o que os céus quiserem. Ligo e torço para ela não atender. Na minha consciência vai ficar aquela sensação de que pelo menos eu liguei. E a Julia atende. “Alô, oi”. Engulo seco. “Oi Julia, é o Chico, aquele amigo doido da Janice”. “Oi”. Resolvo não perder tempo. “Liguei para saber se tu tem algum compromisso amanhã à noite...de repente a gente poderia fazer algo...” Já espero o ah, que pena, mas ficarei em casa lavando a louça. E do outro lado, a Julia diz que adoraria fazer algo. Vibro. O problema é que não havia pensado em nada, pois não esperava escutar um sim. “A gente poderia comer uma pizza”, sugere ela, sem esperar minha sugestão. “Que horas eu chego”, pergunta a Julia. Como assim, que horas ela chega? Fico mais surpreso. “Sete, oito horas, ah, quando tu achar melhor”, digo. “Sete, sete horas. Me manda por email as coordenadas”, pede. Com certeza, penso. Serão cerca de 30 horas de tremenda ansiedade. Relaxa, man. Finalmente chega o sábado, seis e pouco e a Julia me liga. Viu, penso, fudeu, ela vai desistir. “Chico, vou demorar um pouco, cheguei há pouco do cabelereiro”, revela. Uhm, a Julia estava se produzindo. Isso dizia muito. “Tou no teu aguardo. Quando tu estiver chegando, me dá um toque que vou te pegar”, digo. “Pode deixar”.(continua)

"Funk"

Conheci a Monica num site de relacionamentos. Trocamos mensagens por uns três dias, trocamos fotos, até que ela pediu que eu ligasse para ela na sexta à noite, por volta das oito horas. Nessa hora estaria no jornal, mas tudo bem. No momento combinado, vou para a sacada, e faço a ligação. A Monica tem a voz bonita, e combinamos de nos encontrar duas horas depois, num barzinho na Cidade Baixa. Saído recentemente de um relacionamento que me destroçou, queria companhia, queria sarar a ferida. Passamos umas duas horas agradáveis, tomando coca-cola e comendo batatas-fritas. E a guria, mesmo com meu olhar macambúzio e ânimo de quem ainda não recuperou-se de um pontapé na bunda, quis me ver de novo no sábado. Ela morava perto do DC Navegantes, e lá fui eu atravessar a cidade. Jantamos, tomamos um chopp e tudo muito rápido, após uns beijos, a Monica me convida para ir pra casa dela. Vamos, né...só que definitivamente não seria uma boa ideia. Além de não ter esquecido minha ex-namorada...bem, chegamos no apartamento da guria. Ela pede para que eu sente, eu sento, e ela tira meus sapatos, meias, calça, camisa. Ela mesma fica só de calcinha. E põe um funk, daqueles cariocas, batidão, do mais baixo calão. O som invade a sala, e ela começa a dançar, dá a abaixadinha, põe as mãos na cintura, nas pernas. Sim, a Monica parece uma funkeira das mais experientes. E como é irritante. Evidente que se eu tinha algum traço de desejo, ele se esvai. Ele, se é que me entendem, se esconde bem escondidinho. Eu morro de vergonha por aquele mico meu e da guria, quero que tudo exploda. E não tem jeito. A madrugada se vai, e manhã bem cedo, tomamos um constrangedor café em silêncio. E fujo dali quando a neblina ainda é forte, para esconder a vergonha e aquela fatídica noite. (www.guaibadas.blogspot.com)

domingo, 30 de junho de 2013

“A irmã Parte 1”

Estava muito, muito interessado numa amiga nova, Janice. A visitava no serviço dela, como quem não queria nada, ia esperá-la na saída da faculdade dela. A guria, evidentemente, se tocou de minhas intenções, mas se fazia de desentendida. Uma tarde tomávamos um café, eu olhava para ela. “Puxa, Janice, tu é muito linda”, elogiei. Ela largou a xícara de leve, e disse: “Não sou nada, é que tu não conhece a minha irmã, ela sim é linda”, garantiu. Duvidei. “É sim, é absurdamente linda. Na terça passa lá no meu trabalho pelas 4 horas. Ela ficou de me visitar”, avisou. No dia e hora combinados, apareci na agência de turismo onde trabalhava a Janice. Os colegas dela já me conheciam. Entrei, sentei em frente à ela e me ofereceram um café. “A mana vem vindo aí”. Fiquei imaginando entrar uma guria feia, descabelada, afinal os olhos de parentes são diferentes em relação as pessoas que eles gostam, E de repente entra na sala uma deusa, uma deusa, olhos verdes, cabelos longos e negros, lábios vermelhos, uns 1,65m acentuados por sapatos de salto alto. A Janice me olha com um sorriso vitorioso, como se disse-se “duvidou de mim, né”. Levanto e cumprimento a Julia, inatingível para mim. Mas no íntimo quero ficar com aquele mulherão. A Janice pede uns minutos, enquanto termina um relatório, para depois irmos tomar um café. Eu fico olhando a Julia, sem conseguir falar, e quando tento gaguejo. Ela acha graça de minha meninice. No café, me descontraio e saio a falar sem parar. De nervoso. “Cala a boca, cala a boca, tu vai queimar teu filme”, fico pensando...mas não. A Julia ri de tudo, eu olho para ela, e ela baixa os olhos, tímida. A beleza dela a incomoda, pois ela é simples e gentil. E as pessoas estão acostumadas a se intimidar perante pessoas lindas. A Janice nos avisa que precisa voltar. Levanto. “Então vamos embora”, digo, me borrando de medo de ficar sozinho com Julia. “Vocês podem ficar”, diz a Janice. “É, Chico, vamos ficar”, pede a Julia. Ok. Obedeço. A Julia estudava direito, mas sonhava mesmo em ser bailarina. E está me dando um baile, penso. Duas horas depois, preciso ir embora mesmo, tenho de trabalhar. E ela tem de ir pra PUC. Timidamente me atrevo a perguntar: “Vamos nos ver de novo?”. “Claro, pega meu telefone”, diz a Julia. E eu pego o celular dela e ponho no bolso. “Brincadeirinha”, falo, pensando na sequência: “dã, seu idiota, para, para, para”. Devolvo o aparelho e nossas mãos se roçam. Ela fica vermelha. “Como tu é bobo”, brinca ela, me dando o número. Na hora da despedida tenho uma vontade imensa de abraçá-la forte e lhe dar um daqueles beijos cinematográficos. O coração acelera, e quando chega o lotação dela, me inclino e a beijo no rosto, os lábios pegando de leve no canto dos lábios dela. E na minha cabeça já começo a planejar o sábado à noite. (continua)

“Ervilhas”

Entre os alimentos que não suporto, a ervilha, o coco e a goiaba estão no topo dos desprezados. Pois sexta-feira, mais de 11 da noite, eu, o Ilgo Wink e o Leandro Behs saimos da redação do Correio do Povo depois de fechar a edição de domingo e nos dirigimos para a Cidade Baixa. O objetivo é jantar no Cotiporã, muitos anos antes da reforma que o deixou chique. Nós gostávamos do chinelão, que parecia uma garagem mal-ajambrada, pois ali era feito um Xis fenomenal. Hoje ele não existe mais. Sentamos, pedimos uma cerveja para abrir os trabalhos, e cada um faz seu pedido. Peço meu Xis frango, e saliento: “Por favor, sem ervilhas, no lugar coloquem mais milho”. Sou daqueles que abro uma lata de milho e como de colher. Mas não me ofereçam nada com aquelas coisinhas verdes. Pois dez minutos depois chegam nossos pedidos. Meto o garfo e a faca e saltam dezenas de ervilhas no prato. Pô...chamo o garçom e faço a reclamação. Ele pega o prato e leva de volta, retornando em dois minutos. O mesmo pão, o mesmo prato. O cozinheiro apenas raspou algumas ervilhas, deixando um caldo esverdeado na comida. Volto a reclamar. “Ah, meu amigo, assim não, né...ainda tá cheio de ervilha”. O garçom pega o prato e some de novo. Enquanto isso o Ilgo e o Leandro se esbaldam com a comida deles, e dando risada de minha desventura. Passam-se mais 15 minutos, os guris já acabaram de comer, estão na terceira cerveja, e eis que surge o garçom com meu Xis. Minha boca saliva. Agora vai, penso. Mas antes dou uma última checada, levantando o pão com o garfo, e o que vejo? Ervilhas gordas, verdes, brilhantes no meio do frango. Explodo. “Só pode ser brincadeira, né, meu amigo. Olha isso aqui...”, digo, mostrando o pequeno Hulk. “Ah, Chico, deixa pra lá, come assim mesmo”, diz o Ilgo. “Não, eu não gosto de ervilha, eu pedi sem ervilha...”, protesto. Lá vai mais uma vez o garçom pra cozinha. Quase uma da manhã e finalmente o Xis sem ervilha, quentinho, na minha frente. O Ilgo olha pro garçom, e pergunta: “Meu amigo, vocês cuspiram no Xis dele, né?”. O garçom dá um sorriso maligno, e dispara: “Sim, com certeza”. Mas a fome é tanta, mordo o primeiro pedaço, engulo, e encerro o assunto: “O que os olhos não enxergam, o coração não sente”.

MACUMBEIRO

Sábado à tarde, caminhando em Gramado, em direção ao Palácio dos Festivais para assistir ao filme do dia, cruzo com uma senhorinha. E ela m...