“Paraguaio”

A Olivia entra de férias e vai passar 15 dias no Rio de Janeiro. E me diz que pretende voltar bem bronzeada, “ficar bem negona, da tua cor”, brinca. Então lembro de quando comecei a namorar uma loirinha, pele bem alva, alguns anos atrás. E a guria se entusiasma, afinal está namorando um negão. Chega em casa e conta a novidade para a família, pais, irmão. Nada de racismo. Acham legal. E um negão que não é pagodeiro, que gosta de rock. A mãe dela, curiosa: “Minha filha, vou fazer um almoço aqui em casa pra tu trazer o teu namorado”. Recebo o convite e não me assusto. Tudo bem, quando? Ah, domingo, meio-dia. Ok. Lá estarei. No dia combinado, chego bem na hora combinada. Toco a campainha e um carinha de seus 15 anos atende. É o irmão da guria. Ele fica me olhando, olhando, como se não estivesse entendendo nada. “Sim?”. “Sou o Chico”. “Se tu está dizendo”, responde ele, chamando a minha namorada, que aparece correndo, pega a minha mão. “Pai, mãe, o Chico chegou”. Nisso aparecem os pais dela, mais os tios, primos...sim, eu havia virado atração de circo. Mesmo assim, me olham estranho. Cumprimento todos. “Mana?”, chama o irmão. “Sim”, “Tu não falou que estava namorando um negrão?” Silêncio na sala. “O Chico é meio falso, né, ele está mais para amarelão. Mana, tu tá namorando um negrão paraguaio...”, conclui. Tá bom, amarelão...

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