“Rabino”

Há alguns anos, tínhamos uma colega no Correio do Povo, que apesar de jornalista, tinha um conhecimento meio limitado, assim como um dia a tenista Sharapova chocou ao afirmar nunca ter ouvido falar em Sigmund Freud. Pois estamos em frente ao jornal, 11 da noite, esperando os carros do jornal que levavam e levam a galera da redação para casa. Nisso passa um rabino bem em frente à Caldas Júnior. Vamos combinar que não é comum isso acontecer, ainda mais àquela hora da noite. Olho pros colegas, e comento: “Gente, um rabino”. O pessoal observa aquela figura, indo em direção Praça da Alfândega. E a colega, bela e inculta, começa a rir, quase histérica. “O que foi?”, pergunto. “Ai, Chico, não diz isso”, pede ela. “Isso o quê? Um rabino?”. “Ai, Chico, para, para”, repete ela. “Mas o que houve? Não é preconceito, é uma constatação. Ali vai um rabino”, insisto. “Para, para de falar palavrão”, implora a guria. “Que palavrão?”. “Tu fica aí dizendo rabino”. “Sim, rabino”. “Chico, para”. Não estou entendendo nada. “O que tem de rabino de palavrão?” “Ai, Chico, como tu é bobo, rabino é de rabo, de bunda, para...” Um colega corrige ela: “Não, guria, tu não sabe o que é rabino?”. “Mas tu também, parem com isso”, explode ela. Não acreditamos no que escutamos. Digo: “Guria, rabino é como um padre, só que judeu”. “Ah tá, vai insistir...”, diz ela, balançando as mãos, como se desistisse de ouvir minhas “baixarias”.

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