Postagens

Mostrando postagens de julho, 2013

“Praça”

Imagem
Perto do Colégio Paula Soares tem uma pracinha, mais exatamente na Fernando Machado, não tenho passado por lá, mas havia um posto da Brigada Militar ao lado. Será que ainda está lá? Bem, na época da escola, o local servia para várias distrações. Matar aula era a menor delas. No primeiro grau a turma ia lá para andar de balanço. Um tempo depois a galera namorava por lá. E depois ia tomar vinho de garrafão comprado no Zaffari e claro...fumar um baseado, escondendo o cigarrinho do capeta quando via um brigadiano aproximando-se. Então estamos lá, eu, a Flávia, a Inês Valéria, o Ricardo, colegas que nunca mais encontrei na vida, matando aula, e sentados nos balanços. O garrafão de vinho no chão, aberto, e a gente bebia pelo gargalo mesmo, dando risada e falando do que pretendíamos fazer quando chegássemos à vida adulta. Nisso dois carinhas se aproximam, e gelamos. Sabemos que vamos nos incomodar...Eles vêm vindo, são mais velhos e maiores. Como falávamos naquela época, levaremos um atraque...

"Pés"

Imagem
Uma das principais características que me atrai em uma mulher são os pés dela. Já deixei de ficar com alguma menina por isso. Pegar na mão o pezinho, beijar, ih...se não me agrado, não tem jeito. Acabou ou melhor, nem começo. Alguns amigos até colecionam fotos dos pés das mulheres com quem ficam. Um, casado, tem várias fotos de pés de amantes em seu celular, ah, se a mulher dele descobre. Pois uma amiga me revela. Nunca, nunca, em seus 30 e poucos anos de vida, um namorado e até mesmo o ex-marido elogiaram, beijaram seus pés. E olha que ela tem os pés lindos, já vi. “Agora, quando vier te encontrar, só virei de sandálias ou chinelinho”, brincou ela. Então fui encontrar uma menina com quem vinha conversando no facebook. Nos encontramos para jantar num shopping. Está quente e ela chega de sapato aberto, mas escolheu pessimamente o modelo, ah, sim, isto para um podólatra também é importante, o sapato, as cores do esmalte. Olho para aqueles pés, e...fudeu. Não vai ter jeito. Até trocamos ...

"Dente"

Imagem
Algumas pessoas não gostam de perder. Crianças choram e talvez fiquem violentas. O Beto ficou violento. Jogávamos botão, e ganhei a terceira partida seguida, o que desagradou meu amigo. Irritado, ele virou a mesa e meus jogadores caíram no chão. Devolvi quase na mesma moeda, ou seja, peguei os botões dele e atirei no meio da rua. O Beto foi lá recolher seus craques, e um deles voou na minha direção, arremessado pelo perdedor. Não tive tempo de desviar, e o botão chocou-se com minha boca. O resultado foi um dente da frente quebrado. E ele ficaria assim 35 anos, até uma dentista colocar uma placa nele.

“Gente como a gente”

Imagem
Tenho uma amiga que é uma gata. Linda, por onde passa nunca é ignorada pelos olhares masculinos, que a cobiçam sedentamente. Eu mesmo já lhe lancei olhares cobiçosos. Às vezes ela vai a algum bar ou restaurante, afinal curte os momentos de solidão, e sempre tem um carinha pedindo para sentar com ela e lhe pagar uma cerveja. "Não, obrigada", agradece ela. Atualmente está curtindo mais seus felinos em casa, ao lado de uma garrafa de vinho tinto. E mesmo quando está namorando, não abre mão de sua independência. Tanto que em muitas oportunidades, saiu para jantar na Cidade Baixa. E era fatal, levava uma cantada. Dizia então: "Bah, cara, tenho namorado". E sempre ouvia de volta: "Mas o cara é muito trouxa de te deixar aqui sozinha" ou então: "Mas cadê o carinha que deixa uma baita gata assim sozinha na noite...". Ela nem se dignava a responder. Então a turma está reunida, e uma amiga pergunta à ela: "Na boa amiga, como é isso de ser desejada por...

“Paciência”

Imagem
O síndico do meu prédio não gosta nenhum pouco de crianças. Veta qualquer brincadeira mais animada da petizada nos dois parquinhos do condomínio. Pois a Sara, afilhada do Alex, está brincando no balanço, e lá vem o síndico, caminhando devagar. A menina, quatro anos de idade, para de se balançar, e cumprimenta o homem. “Oi!”, diz animadamente, vozinha fina de criança. Ele continua sua caminhada implacável, sem olhar para os lados, procurando alguma irregularidade para mostrar seus poderes ditatoriais. “Oi, como está o senhor?”, insiste a menina. E nada de resposta. “Véio, boa tarde”, berra, desesperada Sara, sedenta por atenção daquele senhor de cabelos brancos e semblante seríssimo. Silêncio. E então a doce menininha perde a paciência: “Então é assim? Não vai me dar oi, é? Então vai tomar no teu cu!”, grita, para desespero do Alex, que vê o síndico parar e fuzilar os dois, furiosamente. “Sara, é falta de educação ofender os adultos”, ensina ele. “Mas dindo, eu dei oi pro véio, e ele ...

"30 anos esta noite"

Imagem
Adolescente, morava com minha mãe e minha irmã adotiva na rua Vasco Alves, ali perto do Gasômetro. E não teve jeito de convencer a dona Flora para que me deixasse ir à final da Taça Libertadores da América entre o Grêmio e o Peñarol no Olímpico, na gelada noite de 28 de julho de 1983. "É perigoso", disse ela, mesmo eu com o ingresso no bolso, presente de meu pai. Os dois haviam se separado um ano antes. Então a torcida era de que a televisão transmitisse a partida ao vivo para Porto Alegre. Àquela época, era pré-pay per view e tevê a cabo, as emissoras só colocavam o jogo no ar caso os estádios lotassem. Bem, a previsão era de um Olímpico lotado. Em Montevidéu, uma semana antes, empate em 1 a 1 no mítico Estádio Centenário na partida de ida. O Grêmio saiu na frente com gol de Tita, e os uruguaios igualaram com o cracaço centroavante Fernando Morena. Então, chegou o grande dia no Olímpico. Frio de 5 graus na capital gaúcha, e público de 73.093 pessoas. A decisão, ufa, teria...

“The Wall”

Imagem
Quando The Wall, do Alan Parker, estreou em Porto Alegre, em 1983, não fui assistir. A Anamaria, o Alexandre, a Paula Cristina e a Alessandra mataram aula para ver o filme com as músicas do disco homônimo do Pink Floyd. No dia seguinte, contaram extasiados como havia sido a aventura. Apesar da ótima memória que tenha, não recordo desta vez o motivo de não ter ido assistir ao filme de minha banda preferida, que à época ainda não era a minha banda preferida. Era o Van Halen. E The Wall saí de cartaz. Quando conseguiria ver de novo? Nem ideia, afinal à época não existia DVD, video-cassete, nada. Teria de esperar que um dia alguma das seis emissoras existentes (Guaíba, Manchete, TVS, Cultura, Bandeirantes e Globo) se dignassem a passar a trama considerada psicodélica. Então em 1985, eu já fã inexorável, possuidor de todos os discos do Pink Floyd, fico sabendo que o Cinema Imperial passaria uma semana completa de The Wall, sempre às 20h e às 22h, entre a segunda e a sexta-feira. Mas catzo,...

“Agora?”

Imagem
Os pais do Marco Antônio já tinham quase sessenta anos, e a gente imaginava que eles nem transassem mais. Um sábado de inverno, frio, chuva, a turma decide ir dançar no Partenon Tênis Clube. Cada integrante da turma vai passando na casa de outro, e assim por diante, aumentando o quórum. Depois de oito casas e oito pessoas arregimentadas, resta o Marco Antônio, que está jantando pela terceira vez em duas horas. “Cara, vamos lá, tá pronto?” “Tou acabando aqui”, diz ele, limpando o resto da sopa com uma fatia de pão, e correndo pra escovar os dentes. “Deu, pronto”. “Mas tu vai sair assim? Tá frio e chovendo lá fora”, avisa o Fernando. “Esperem, que vou pegar meu casaco”. E nada de achar o casaco. “Mana, viu meu casaco”, pergunta ele pra Gorete. “Acho que vi na cadeira no quarto do pai”, informa a guria. “Bah, é mesmo”. São onze da noite, e a porta dos pais dele está fechada. Devem estar dormindo. O Marco Antônio bate na porta e nada. Bate de novo. Nada. “Pai, mãe”. Nada. Então ele gira a...

“Amarelos”

Imagem
Uma das saias justas mais terríveis que assisti ocorreu no Cinema 1-Sala Vogue, na Independência. Sábado à noite, estreia do oscarizado Gritos do Silêncio, sobre o Khmer Vermelho e a Guerra no Camboja no começo dos anos 1970. O filme vai terminando, após mais de duas horas de assassinatos, explosões, tentativas frustradas de fuga. Entra a música Imagine, do Lennon, quando os personagens principais se reencontram e se abraçam. Choradeira no cinema, as luzes se acendem, e um carinha sentado perto de mim berra: “Bah, finalmente acabou esta porcaria. Não aguentava mais ver este monte de gente amarela na tela. Ainda bem que mataram metade deles...” Eu me viro, outras pessoas se viram, e o carinha racista se vira, e na fila de trás, uma família de asiáticos, sete, oito pessoas, entre homens e mulheres, rapazes e moças. Todos olham desconsolados para o cara, nada de mágoa nos olhares, apenas tristeza. O carinha tenta se desculpar: “Não quis dizer vocês, quis dizer lá do filme, sabe, aquela g...

"Haley"

Imagem
Aniversário de 15 anos da Hellen, no Clube dos Funcionários do Tribunal de Contas, no Cristal. O Denilson passa uma descompostura no resto da turma, pois segundo ele, a galera não sabia se comportar e fazia fiasco. Deveriam ser como ele, ou seja, não beber e nem atacar as guriazinhas. A turma escuta o sermão, se olha de canto e prepara a vingança. Enquanto tomam um gole de cerveja, oferecem dois copos cheios para o Denilson. Ele acha poder se controlar, e acaba perdendo a conta. Após o corte do bolo, a aniversariante vai distribuindo souvenires de seus 15 anos, na mesma noite em que o cometa Halley cruzaria os céus. A Hellen oferece uma lembrancinha, um cartãozinho com os dados da festa e um pequeno boton, para o Denilson. “Não, obrigado, estou satisfeito”, diz ele, vomitando em seguida. Quando vê, aliás, não vê, está sendo expulso do salão pelo segurança. Completamente alcoolizado, cai na frente do clube, e continua a devolver ao mundo as bebidas e comidas que ingeriu naquela noite. ...

"Casal"

Imagem
Estou lá sentadinho em meu lugar preferido no restaurante ao lado do Tribunal de Justiça, na Praça da Matriz, comendo minha salada forçada da semana. Na mesa ao lado, um casal jovem, cerca de 30 anos. A guria, loirinha, olhos castanhos, olha apaixonada para o carinha, que tem em sua frente um prato transbordando de arroz, feijão e vários bifes. Ele come, bebe um guaraná, tudo de boca aberta. O prato dela tem saladinha, frango, arroz e feijão. E ela toda educadinha, tomando água mineral. Ai acaba e levanta para pegar mais comida, e o cara não perdoa. “Onde vai a gorda? Pegar mais comida? Não é a toa que está deste tamanho, enorme...” E a guria não tem nada de gorda. Deve ter uns 1,70m e uns 60, 63, 64 quilos no máximo. E fica vermelha. Pensa em desistir de voltar ao bufê. “Amor, tu acha?”, pergunta ao sei lá se namorado, noivo, marido. “Saudade do tempo que tu era magrinha, agora tá isso aí, estourando...” “Só vou pegar um pedacinho de peixe...” “Não sei como ainda te aguento, vai lá, ...

“Gato”

Imagem
Timidez, burrice e cegueira definitivamente não combinam. Apaixonado ainda por uma namorada que me abandonara meses antes, isso lá nos idos dos anos da primeira metade dos 1990, eu sempre dava um jeito de visitar a guria para ver se ela não mudava de ideia e reatava. E nada. Uma tarde fria de inverno, saio do trabalho dela e vou chorar as pitangas com minha amiga Eliana Camejo, então produtora na Rádio Guaíba. Chego lá, ela serve um café e saio a lamentar o desprezo da ex-namorada. Na semana seguinte, o mesmo roteiro. Entro na sala e a Eliana me vê, mas não oferece a cadeira para eu sentar. E eu desfiando lamúrias. E a Eliana fazendo sinais...e eu sem entender nada. Depois de encerrar o relatório, vou embora. E horas depois, a Eliana me liga. “Tu é retardado ou o quê?” “Ãnnn?!”. “Chico, tu não viu que tinha uma guria sentada do meu lado?” “Eu não” “Pois tinha, e ela ficou ali babando, e tu falando sem parar” “Mas queria que eu fizesse o quê?” “Ora, calasse essa boca, ou no mínimo não ...

“Nega Maluca”

Imagem
A Soraya era uma das pessoas que cuidava de mim quando eu estava trancafiado em casa, com depressão. Ela chegava com seus pufs no formato da Minie, conversava comigo, depois que eu me tranquilizada, ia pro computador, conversar com seus mais de 500 contatos no MSN, enquanto que eu quase vegetava no sofá, arrasado pelo pontapé que havia levado de uma namorada. Eu assistia filmes, tentava me concentrar em alguma leitura. Então a Soraya levantava, se dirigia à cozinha, e ia fazer bolo de chocolate, que devorávamos na madrugada, enquanto ela contava de suas paqueras no colégio. O tempo passou, saí da fossa, volto a namorar outra menina, e a Soraya conhece um carinha, e engata um namoro. Somem os bolos de chocolate. Retomados um tempo depois, quando voltamos a ficar solteiros. Eu ligo pra Soraya: “Sô, sobe e vem fazer a Nega Maluca”. Nega Maluca e Coca-Cola ou café preto e filmes, filmes, filmes. Uma noite chego em casa, e a Sô, que estava namorando de novo, toca a campainha. Abro a porta ...

“Cine ABC”

Imagem
O Cine ABC, na Venâncio Aires, foi um grande lugar cult pra mim nos anos 1980 e início dos 1990. A sessão da meia-noite lotada, o sino tocando antes de iniciar clássicos como Betty Blue, Asas do Desejo, Meu Pé Esquerdo. Mas nada marcou mais do que The Doors, em 1991. E até hoje penso que o Cine ABC tem o recorde mundial de público numa mesma noite, com mais de 500 mil espectadores para ver a sessão do filme do Oliver Stone e estrelado pelo Val Kilmer. Afinal, até mesmo quem tinha 10 anos ou nem era nascido à época estava lá. Vai entender. Então detalhes para a próxima vez que me contarem terem assistido o filme naquele sábado à noite. Vinte e três horas, e a fila avança e dobra a José do Patrocínio, em frente a Praça Garibaldi. Ao meu lado o Beto Faleiro e o Alemão Ludwig. E quando nos aproximamos da porta principal, a fila estanca. Lotou. Com ingressos na mão, que ganhei na Ipanema FM, onde trabalhava como redator, nos apavoramos. Mas como, como ficar de fora da sessão da meia-noite?...

“Churrasco”

Imagem
Um amigo me conta que outro dia estava em uma churrasco no condomínio dele com outros vizinhos, alguns novos. Quase só casais, domingo à tarde, chuva caindo lá fora, carne, cerveja, salada de maionese. E uma mulher encostada na parede, tomando cerveja e sorrindo para ele. Ele olha pros lados, achando que não é com ele. E sua esposa cercada de outras mulheres, conversando animadamente, certamente sobre futuros filhos, pois ela quer ser mãe, e ele, pai de um garoto de dez anos do primeiro casamento, no momento nem cogita a hipótese. Então um carinha que ele não conhece chega nele. “E aí, meu velho!”. “E aí?”. “Tá vendo aquela loira ali, encostada na parede?”. “Sim”, garante meu amigo, afinal a tal loira é uma mulher portentosa, tipo estas cavalas funkeiras. “Pois ela me disse que gostaria de transar contigo”, já dispara o mulato alto, careca e de cavanhaque. “Cara, minha mulher tá ali, sou fiel, sabe...” “Cara, olha bem aquela mulher, tu vai perder a oportunidade?”. O cara foi tão convi...

“Amigdalas”

Imagem
Já fui acusado de xenofobia. Na oitava série, no Colégio Paula Soares, foi contratado um professor baiano, não recordo o nome, de Ciências, para o lugar da Melda, que ficou doente. Negro, magro, meia-altura, de óculos, ele foi logo tratando de impor restrições à turma 803. Silêncio extremo na aula, trabalhos em excesso, rigor no horário – não deixava ninguém atrasado entrar na sala, e não desperdiçava nenhum segundo com papo furado. A turma até aceitou quietinha. Mas a gente não resistia ao sotaque baiano do vivente. Arrastado. E ninguém perdoou quando ele soltou um “amiguidálassssss”. Risada geral. A Rosane Sant’Anna soltou uma gargalhada quase histérica, e a minha risada, se não era ribombante como hoje, estava sendo formada. E o Alexandre ria fininho. Puro deboche. Aí o João Inácio perguntou lá do fundão: “Como é mesmo, professor aquela coisa que fica na garganta?”. E ele caia direitinho: “Amiguidálassssss”. Quá, quá, quá...O professor ficava puto, e dê-lhe tema de casa em dobro pr...

"Homem do Gato"

Imagem
Vinhamos eu e o Possas pela Rua da Praia, quando algo atinge meu pé. Olho para baixo e vejo uma geleca grudada no meu tênis. Segundos depois, o famigerado "Homem do Gato" puxa a geleca, mia e dá uma gargalhada, que é seguida por umas 40 pessoas que assistiam sua performance em frente ao shopping. Não dou bola para a brincadeira, mas o Possas se enfurece e começa a xingar o comediante. "Tu é um vagabundo, não pode fazer isso com meu amigo", berra o baixinho. "Possas, deixa pra lá, é uma brincadeira", digo. O Homem do Gato, aquele carinha que fica socando um saco e fazendo o som de um bichano miando, e sua assistência olham admirados aquele louquinho berrando. "O que vocês estão olhando? Bando de vagabundos, desocupados", continua o Possas. Eu não acredito naquilo. O Homem do Gato resolve devolver as ofensas do Possas, mas de forma debochada. "Tu tá bem? Tu é feio assim mesmo ou está usando máscara?", provocou. "Me respeite, tu não ...

“Antonella”

Imagem
Quando cheguei em casa, Antonella me esperava, sentada no sofá. Seu ar juvenil era encantador. Os longos cabelos molhados davam-lhe um jeito de lolita das mais pecaminosas. E ela não teve vergonha em se ajoelhar e abrir minha braguilha ali na sala mesmo, puxar meu pau pra fora e o colocar na boca sofregadamente. Enquanto o chupava, tirou o cinto, arriou as minhas calças e fez um serviço completo. Sua língua passeou por minhas bolas, depois pela cabeça. Era um trabalho de uma veterana. Feito por uma garota de 17 anos. Tive a impressão de nunca ter sido chupado daquele jeito. Fiquei, enfim, completamente nu e ela me deitou no chão, colocando a mão direita em meu peito. Antonella parou um pouco para se despir, enquanto que tive teve de me conter para não gozar. Já totalmente nua, Antonella voltou a abocanhar meu pau. Até que não suportei e enchi a boca dela de porra. Que ela sorveu até a última gota. Ela me fitou com um olhar sacana, colocou os dedos na boca e disse que desejava ser fodi...

“De roncos e maquiagem”

Imagem
Inverno, chuva, frio, sábado a noite. E a Liana decide fazer uma jantinha na casa dela pra mim e o Luciano. A gente passa no Zaffari, compra os mantimentos, e claro, vinho e cerveja, muito vinho e cerveja. Três horas depois, alimentados, e com o vinho e a cerveja terminando, aliás, terminados, estamos os três estirados pela sala. Escutamos os clássicos dos anos 1980, e cada um falando de seus desastres amorosos novos e antigos. A Liana revira os armários e encontra um garrafa de uísque. Então vamos nessa, uísque, que é rapidamente finalizado. O Luciano sugere que busquemos mais cerveja na loja de conveniência do posto de gasolina, mas a chuva aperta lá fora. E não estamos muito em condições de caminhar umas três quadras. Cavoca daqui, cavoca dali, e a Liana acha tequila e absinto. Já não falamos mais nada com nada. E revelo: “Nunca tomei tequila e absinto na vida”. Bêbado é foda, já diz um antigo ditado. “Então hoje você vai perder a virgindade”, ri a Liana, servindo tequila pra mim. ...

“Malvinas ou Falklands”

Imagem
Quando digo que sou tímido, as pessoas começam a rir quase freneticamente, além de duvidar de minha afirmação. “Tá bom Chico, tu é tímido, sei...”, costumo escutar, principalmente das mulheres, em tom irônico. Eu comecei a oitava série quieto, muito quieto, sempre com um livro embaixo do braço. Muitas vezes nem saia para o recreio. Ficava lá, sentado, lendo alguma coisa. No começo do ano, naquelas perguntas dos professores para conhecer os alunos, eles perguntavam: “Qual a profissão que você pretende seguir?”. Eu respondia sempre Jornalismo, e voltava para a minha concha. Então inicia a Guerra das Malvinas, eu comprava os jornais todos os dias para acompanhar o desenrolar do conflito. Correio do Povo, Folha da Tarde, Zero Hora, a Veja. Fiz uma pasta com os recortes, e ficava lá nas aulas, lendo sobre a guerra, ao lado de livros sobre a II Guerra, a Revolução Russa e a Revolução Francesa. Aí chega a professora de História, Bela Igór, e sai perguntando a cada aluno o que ele achava da G...

“Professores”

Imagem
1985. Último ano do segundo grau no Colégio Paula Soares, no turno da noite. O professor Chico, meu xará, tinha uma matéria nada agradável para dar, Física. Mas seu jeitão alegre fazia com que a garotada se divertisse à beça. Ninguém faltava às aulas, mesmo que dois dos quatro períodos fossem ministrados na sexta-feira, antes do último período, que era a aula de História com a professora Aline, uma loirinha linda, dona de um sorriso envergonhado, sempre com calças deandê, aquelas zebradas preta e branca. Física e História, entre 20h e 22h45min, ou seja, prato cheio para a turma matar aula e se mandar pra praça na Fernando Machado beber vinho de garrafão e fumar um baseado. E não é que a galera não matava as aulas? Graças à empatia dos dois professores. E quando a aula do Chico terminava, ele ficava ali, fazendo hora com seus livros, até entrar a Aline. Ele levantava, cedia o lugar. Ela abaixava os olhos, ficava rubra de vergonha, e nos dez primeiros minutos, gaguejava sem parar. Uma d...

“Poltergeist”

Imagem
Hoje sou um chato no cinema, exijo silêncio total, não gosto nem do som de gente comendo pipoca. E dependendo do volume da conversa, quase saio no tapa se peço silêncio e não me atendem. Pois estamos em 1982, último dia de aula. Aprovado e encerrando o primeiro grau, eu e alguns colegas da famigerada turma 803 decidimos ir ao Cine Vitória assistir ao terror Poltergeist. Rosane, Alexandre, Ana Maria, Claudia Ferrugem, Liz Peixoto, Marialba, Gisele. Sentamos no mezanino, munidos de pipoca, Coca-Cola, bolachas recheadas e balas de goma. O filme começa, e a gente fica em silêncio. Até a pequena Heather O'Rourke ser levada para dentro da televisão pelos espíritos brincalhões. Uma das gurias berra de pavor, e a gente começa a rir. E na sequência alguém atira uma bala na cabeça de outro, e assim inicia-se uma guerra de comida dentro do cinema. Um cara, sentado lá embaixo, se vira e pede silêncio. Como resposta, ouve uma sonora vaia e um banho de pipoca. A turma não sossega um minuto, ber...

“Rabino”

Imagem
Há alguns anos, tínhamos uma colega no Correio do Povo, que apesar de jornalista, tinha um conhecimento meio limitado, assim como um dia a tenista Sharapova chocou ao afirmar nunca ter ouvido falar em Sigmund Freud. Pois estamos em frente ao jornal, 11 da noite, esperando os carros do jornal que levavam e levam a galera da redação para casa. Nisso passa um rabino bem em frente à Caldas Júnior. Vamos combinar que não é comum isso acontecer, ainda mais àquela hora da noite. Olho pros colegas, e comento: “Gente, um rabino”. O pessoal observa aquela figura, indo em direção Praça da Alfândega. E a colega, bela e inculta, começa a rir, quase histérica. “O que foi?”, pergunto. “Ai, Chico, não diz isso”, pede ela. “Isso o quê? Um rabino?”. “Ai, Chico, para, para”, repete ela. “Mas o que houve? Não é preconceito, é uma constatação. Ali vai um rabino”, insisto. “Para, para de falar palavrão”, implora a guria. “Que palavrão?”. “Tu fica aí dizendo rabino”. “Sim, rabino”. “Chico, para”. Não estou ...

“Ereção”

Imagem
O Eduardo gamou na professora de Ciências na sétima série no Paula Soares. A Cristina era uma loira alta, fofinha e de um humor refinado. E tri parceira dos alunos. Com 13 anos, o guri leu os sinais errados. E os hormônios explodindo. Final de bimestre e prova oral. Os alunos tinham de ficar em frente à professora, lá na frente, respondendo as perguntas. Chegou a vez dele, sempre tirando notas altas, moleza aquela prova sobre mitocôndrias e similares. Vestia abrigo Adidas azul-marinho. “Eduardo, a primeira questão é...”, fala a Cristina. E o pau do Eduardo começa a ficar duro por baixo da calça de abrigo. E o guri não consegue esconder. As gurias da turma dão risadas abafadas pelas mãos. E ele começa a gaguejar. A Cristina faz de conta que nada acontece, mas não esconde o sorriso no canto dos lábios. E o Eduardo parado ali, de ferramenta içada, vermelho como um tomate, gaguejando e errando uma resposta atrás da outra. Ele olha pro pinto, passa a mão para ver se fica mole, mas não cons...

“A professora”

Imagem
A Lívia era a professora de Biologia no Paula Soares, mas quisesse seria miss, de tão linda e sexy. Os meninos suspiravam quando ela passava pelos corredores, 1,75m, cabelos longos, negros e lisos, que batiam quase na cintura, boca carnuda e vermelha, seios grandes e sempre de saltos altos, calças apertadas. E o que acontece? O Raul apaixona-se perdidamente por ela. O Raul era um alemão alto para seus 15 anos, falante e leitor de Bukowski e Jack Kerouack, influência de um primo, conhecido escritor e jornalista. Ele precisa extravasar este amor, talvez a professora de seus 28, 29 anos deixe o marido, um carinha careca, barbudo e de seus 40 anos, por ele. Mas como? Bem, ele respira fundo e se declara para ela na entrada do colégio. A Lívia ri daquela paixão, mas não é uma risada de deboche, é meio de espanto e de gratidão por se ver admirada pelo adolescente. E passa a mão na cabeça dele, longos cabelos loiros. “Raul, tu é uma graça”, elogia ela. E o Raul vê isso como um sinal de que e...

“Piercing”

Imagem
Estou no elevador, e noto que uma senhora fica me observando. Parece admirada. Mesmo com minha timidez galopante, falo com ela. “Não sou nada bonito para a senhora ficar assim, me olhando”, digo. “Meu filho, estou aqui olhando este piercing no teu nariz”, responde ela. “E...” “Como tu pode usar isso? Não doeu?”, pergunta ela. “Um pouco”. “Não entendo vocês. Colocar um troço desses, sentir dor. E como deixam tu trabalhar assim?”. “Minha senhora, doeu uns cinco segundos quando coloquei. E estamos no século XXI. Eu acho muito legal”, garanto. “Ah, eu estou numa batalha pois meu filho e minha filha querem usar piercing, e eu tenho até ameaçado eles”, jura a senhorinha. “Mas por quê? Deixa eles serem felizes”, peço. O elevador chega ao térreo e ela me pega pelo braço: “A minha filha, se eu deixar colocar o piercing, o próximo passo será pintar o cabelo de verde ou vermelho. E não posso deixar isso acontecer”, garante. “Minha senhora, se a sua filha pintar o cabelo e colocar piercing, eu ca...

“Vermelho”

Imagem
Até hoje não sei o quanto é lenda ou verdade. Meu pai me contava sempre da primeira vez em que ele esteve em um Grenal, lá em meados dos anos 1950. O velho Chicão era de Livramento e torcedor por lá, na Fronteira, do Grêmio Santanense, cujas cores eram o vermelho e o branco. Mas pelas ondas do rádio, ele torcia freneticamente pelo Grêmio. E garante que na sua cabeça adolescente que as cores do Grêmio FBPA eram as mesmas do de sua terra natal. E ele decide vir à Capital ver o clássico num final de semana. Então chega no Olímpico, inverno, frio, casacão. Logo no início, ele descobre as cores reais do time de seu coração. Só que por baixo do casacão, usa uma blusa vermelha com o distintivo do Grêmio Santanense. E no meio do clássico, um lance perigoso e ele vibra, pula...e o casaco abre, mostrando o que veste por baixo, para indignação da arquibancada. E ele leva uma laranja na cabeça, e na sequência um saco de mijo nas costas. “Ô negão colorado, tu errou de lado”, grita um torcedor. “So...

"Celular"

Imagem
Há alguns anos, uma repórter do Correio do Povo casou e era apanhada todos os dias em frente ao prédio do jornal, na Caldas Júnior. Mas com o tempo, essas gentilezas do carinha foram escasseando. A guria, no auge da beleza de seus 20 e poucos anos, recebia olhares gulosos dos colegas. E um dos repórteres, um dia, saindo pra ir pra casa, viu a menina em frente ao prédio. Chovia, e ela pensava em pegar um táxi. Ele abriu a porta do carro e disse pra ela: “Entra”. “Não, não posso”. “Deixa de ser boba, somos colegas. Tu mora aonde?” “Em Petrópolis”. “Te levo”, diz ele. “Não precisa”. “Eu insisto”, A chuva aumenta e ela desiste de argumentar. E é deixada incólume em frente ao seu prédio. As caronas passaram a ser quase diárias. No Natal, a guria ganhou um celular de presente do maridão. E mal sabia lidar com aquele aparelho parecido com um tijolo. Atendia as ligações do marido, e atirava o troço dentro da bolsa de qualquer jeito. E o cara ligava várias vezes ao dia, mas nada de buscá-la, e...

“Lixeira”

Imagem
A redação do Correio do Povo estava silenciosa. Sexta-feira à noite, dois jornais para fechar, o de sábado e o de domingo. Todo mundo cansado, louco pra ir embora. Aí veio uma bomba pro Possas. Uma bela colega por quem ele nutria uma paixão platônica informa que é seu último dia de jornal, que vai trabalhar na Zero Hora. E o Possas odeia a RBS, pois seu sonho maior era trabalhar lá, mas nunca recebeu o convite. Aí a guria vem se despedindo de todo mundo e chega no Adinho. Que ficou puto da vida. “Tchau Possas”, diz a guria, dando o rosto para receber três beijinhos. Mas em troca: “Vai tarde. Sai daqui, some da minha frente. Traidora”, berra ele. A menina ficou ali, de pé, parada, envergonhada em frente aos colegas, cerca de umas 50 pessoas. E o Possas continuou o discurso anti-RBS, aos berros. “Empresa de merda, quero que todo mundo lá exploda...” E a insistência nos berros irritou o resto da redação, querendo se concentrar nas suas matérias. “Cala a boca”, “fica quieto” e ele dando d...

"Trauma"

Imagem
Unisinos, 1990. Lá estou eu sentadinho no meu lugar na aula de jornalismo do Odon Rodrigues, quando entra um aluno novo na sala. E o pior. Conheço ele de outras paragens, e não são boas lembranças. O carinha foi meu colega no Colégio Paula Soares, e era da turma dos marginais, e costumava praticar bullying comigo e outros nerds fracotes lá pela quarta, quinta séries. Sim, um dia fui fracote, quatro olhos e completamente medroso. Perfil perfeito para ter lanche, material escolar, dinheiro e outros objetos roubados, além de levar surras no recreio ou na saída da aula. Pois bem, o tal carinha senta na cadeira ao lado da minha, e eu me cago todo. O nome dele é Rogério, e ele fica me olhando de canto de olho. Me reconheceu, e eu me apavoro, mesmo que tenha crescido uns 40 centímetros, ter ganhado uns quilos a mais, à época músculos e não gordura, e não usar mais óculos. Será que vou apanhar ali mesmo, ser aliviado de algum material universitário? "Cara", diz ele, tocando no meu o...

“Porteiro”

Imagem
Há um tempo, todos os sábados à tardinha eu ia ao GNC Moinhos ver algum filme. Pegava o T3 aqui na esquina de casa e descia lá no Parcão. E numa dessas vezes, um senhorzinho negro, para do meu lado, e pergunta: “Tudo bem?” “Sim”, tudo bem”, respondo. “Tu é o porteiro daquele prédio em frente ao Parcão, né?” “Não”, garanto. “Tu é sim, passo sempre lá e tu está sempre no prédio”, insiste ele. “Me desculpe, mas o senhor está enganado”, digo. “Não, é tu mesmo. É tu o porteiro, não sei porque está negando”, continua o senhorzinho. “Não estou negando nada”, já começando a me irritar. Nisso vem o ônibus, e o papo termina, Pois na semana seguinte, mesmo horário e lá vem o velho. “Indo pro trabalho?”. “Meu senhor, o senhor me confundiu com outro negão”, falo. Ele me olha e dispara: “Não é vergonha nenhuma ser porteiro”. “Meu amigo, sou jornalista, escritor e estou indo ao cinema”, revelo. “Tsc, tsc, sei, sei”, balança a cabeça negativamente, como se eu estivesse mentindo, delirando. Desisto, e...

“Insatisfeito”

Imagem
Encontro meu amigo Ricardo, fotógrafo. “Chico, por que nós homens, somos eternos insatisfeitos?” “Mas o que houve, Ricardo?” O Ricardo conta que estava com uma namorada que era um sonho, tudo o que ele sempre imaginara. Carinhosa, dedicada, preocupada com ele. Ligava todos os dias, queria saber da saúde dele, preparava jantinhas, cuidava dele quando caia doente. E o Ricardo não suportava mais. “Me irrita o jeito dela. Quero algo caliente”. “Tá, mas o sexo não é bom?”, pergunto. “Até é, mas falta algo, se é que me entende!”. Putz, o pior que entendo. “Senta aí, Ricardo”. O Ricardo larga a câmera do lado. “Cara, parece que a gente gosta de sofrer. Daquela mulher que nos trata mal, que quando a gente liga, sai berrando o que queremos...’Que que tu quer Chico, agora não posso’!”, digo. “Isso, aquela que bate o telefone na nossa cara, que tá sempre ‘ocupada’, que tem ataques histéricos, de ciúmes, que nos ignora. Mas quando a gente vai pra cama, é uma doideira”, concorda o Ricardo. “Ricard...

“Consultório - Final”

Imagem
Tinha outro encontro na sexta-feira. Como não tinha mais pílulas, passei no consultório. Desta vez, ele não me deu gratuitamente, mas sim uma receita. E o troço era caro pra caramba. Mas segurança. Então comprei uma pílula, quase 100 reais. Na sexta-feira, ah, não ia dar mole pro azar, então após jantarmos, enfiei todo o viagra goela abaixo, enquanto escovava os dentes. Fomos pra cama, começamos a nos beijar, e opa, lá vem ele...lá vem ele. E a guria: “Ah, Chico, hoje não quero transar, quero só ficar deitada, abraçadinha, ouvindo tuas histórias, e escutando música bem baixinho”. Eu não acredito. O pau latejando, e ela decide namorar. E eu ali, não iria desperdiçar aquela pílula que havia me custado uma nota preta. Fico puto da cara, reclamo que quero transar, mas sem forçar nada. Faço um beiço. “Tu não vai ficar brabo, né?”, pergunta ela. “Vou”, digo, sem revelar o motivo real. Viro pro lado, chateado. “Ah, cara, se tu vai ficar assim...” “Vou” “Eu só quero namorar hoje”. “Eu quero t...

“Exemplo”

Imagem
Na sala de espera do otorrino, sentado e lendo meu livro de guerra do momento, aguardando ser atendido, quando entra uma mãe, seus 30 e poucos anos, acompanhada da filha, 3, 4 anos no máximo. A mulher identifica-se para a secretária, e senta ao lado da menina, lindinha, grandes olhos. A guriazinha levanta e pega na estande de revistas, repleta de Caras, uma Mônica, os olhos brilhando de alegria. Volta a sentar ao lado da mamãe, e pede de um jeito meigo: “Mãe, lê pra mim?”. Observo a cena angelical, feliz com o interesse da menina na revistinha. E um segundo depois, fico perplexo. A mãe pega a revista, olha, sacode a cabeça negativamente e solta: “Guria, me deixa em paz, tu sabe que não suporto ler. Larga esta porcaria lá e não me incomoda mais”. Minha nossa! A menininha olha pra mãe, segura o choro, afinal está na frente de estranhos – além de mim mais duas pessoas esperavam atendimento -, tenta fazer com que a mulher pegue de novo a revista. “Fulaninha, não me chateia!!!”. Resta à me...

“Consultório Parte 3”

Imagem
Escondo a caixinha no fundo da mochila. Será que vou precisar usá-la? Ih, não sei. Chego em casa e ligo pra guria. Marcamos de nos ver sábado à noite na casa dela. E lá vou eu. A orientação é tomar o remédio 20 minutos antes da relação. Como saímos pra jantar, vou esperar. Talvez nem precise. Quando voltamos pra casa dela, ela vai tomar banho. Fico ali, sentado ouvindo música. Depois vou eu. No banheiro, decido tomar o viagra, que estava no bolso da calça. Escovo os dentes, respiro fundo, e lá vamos, né. Sento na cama e ela já me beija. Lá embaixo nada, nada. Começo as preliminares, ela empurra minha cabeça com as duas mãos, e de repente algo acontece. Muito forte, muito forte. A guria, primeiro leva um susto ao ver o volume, e depois solta um “uhu”. Achei estranho, porém...não parei mais, até a guria pedir água. “Chico, não aguento mais. Tu não cansa?” E lá ia eu de novo, até ela dizer que já estava doendo. Paramos e tentamos dormir. Como tenho insônia, não durmo e fico ali, escutand...

“Consultório Parte 2”

Imagem
Entro no consultório do dr. Cláudio, especialista em disfunção erétil. Pô, tou saindo com uma gatinha, e não consigo ter uma ereção sequer. “Qual a idade dela?”, quer saber o médico. “Uns 20 e pouquinhos”. “E nada?” “Nada”. “Mas você deseja ela?” “Sim, e muito”. “Tu fica nervoso?” “Sim, e muito”. Então ele vai explicando que é normal isso acontecer. Com caras de qualquer idade, a gente encontra alguém que gosta muito, que quer muito. Aí na hora dos finalmente é como se fossemos cobrar um pênalti no Maracanã com 100 mil pessoas olhando, e é uma decisão. “Vai bater o nervosismo”, acrescenta ele, mas mesmo assim me pede uns exames. Lá vou eu pro Mãe de Deus, faço os exames e volto uma semana depois. “Olha, tá tudo normal contigo. Na realidade, tu tens testosterona para dar e vender. Teu caso é psicológico e tu tá entupido de antidepressivo no sangue”, informa. “Tu tem de relaxar, conversar com a menina. Vai ver que tudo dará certo”, continua. Levanta e se dirige ao armário. “Mas mesmo as...

“Perdidos”

Imagem
Naquele sábado eu faria uma surpresa para a minha então namorada Sandra. Ela queria colocar um piercing no nariz, mas não tinha coragem. Comprei a joia, liguei prum tatuador, que faria a pequena operação, e aproveitaria para fazer nova tattoo. Combinado o horário, pergunto o endereço, e ele me diz: “Rua Fonseca Ramos, na Medianeira”. Memorizo, e me toco para fazer a matéria de apresentação da Fórmula Um, que terá a participação de um tal piloto brasileiro Felipe Massa nas primeiras fileiras. Felipe Massa, Felipe Massa, Felipe Massa...final de tarde, busco a Sandra e nos mandamos para a Medianeira. Ela nem imagina aonde está indo. Descemos do lotação na avenida Carlos Barbosa, e saio a procurar a rua...Felipe Massa. O relógio marca 18h, e nós dois damos mil voltas pelo bairro, e nada de achar tal rua. Perguntamos pros transeuntes onde fica tal rua e ninguém sabe. Como não carregamos celular, o jeito é bater mais pernas e perguntar. Escurece, e encontramos dois guris jogando bola perto ...

“A irmã - Final”

Imagem
Passou uma semana, e no sábado à tarde, após eu sair do jornal, iríamos nos encontrar para discutir a mudança. Chego no restaurante combinado e nada da Julia. Ligo pro celular dela, e desligado. Espero uns 15 minutos e ligo de novo. Silêncio. E foi assim durante toda a tarde. No começo da noite, já desistindo, penso que a Julia deve ter se mandado sem mim, mesmo. Então a campainha de meu apê toca. Abro a porta. É ela, uma cara de tristeza. “Chico”. “Julia, onde tu andava? Passei a tarde tentando falar contigo”.”Eu estava pensando...” “E...” “Não quero mais me mudar contigo, nem casar contigo...” “Mas por quê?” “Chico, eu não confio em ti. Tu tem uma cara de safado. Eu sei que tu vai me trocar por outra mulher, vai me abandonar numa cidade estranha por uma mulher linda”, desabafa. “Tu está escutando o que tu está dizendo? Mulher linda? Tu já te viu no espelho? Tu tem noção da tua beleza, do que tu provoca nos carinhas?” “Ah, para, sou normal, nada de mais”. “Julia, tu é doidinha, né”....

“Café com leite”

Imagem
Lá na década de 1990, eu estava trabalhando na Band AM, e como produtor, fui cobrir um evento na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Aguardava na frente do prédio, esperando a guria que iria fazer a reportagem. Ao meu lado o operador, R. E a uns cinco metros da gente aparece um casal, ele negro e a ela branca, abraçados e começam a se beijar. O operador R me dá um tapa no ombro e fala: “Mas olha só aquilo, que pouca vergonha”. “Eles estão apenas se beijando”, constato. “Ela tá beijando um negro, mas se fosse a minha filha, eu enchia de porrada. Não se dá o respeito”, ameaça. “Tu não notou nada?”, pergunto pra ele, que tá fazendo uma declaração racista prum negro. “O quê?” “Cara, tu tá me ofendendo, eu sou negro, né”. “Ah, não, Chicão, tu é apenas café com leite”, diz ele, saindo pra fumar um cigarro. Quero ver se eu decidisse sair com a filha dele...

“A Irmã Parte 5”

Imagem
Eu e a Julia começamos a sair. Eu todo bobo por passear com aquela guria linda, de mãos dadas pelo shopping. Eu saía do jornal e ia correndo encontrá-la no Praia de Belas. Alucinado. Até que uma noite escutei a proposta. “Quer fugir comigo?” Como assim, fugir? Para que se éramos dois adultos, eu uns 10 anos mais velho do que ela. A Julia que viesse morar comigo. Eu a faria gostar de rock, e até suportaria uns pagodes de vez em quando. Só que ela não queria mais ficar em Porto Alegre, não curtia o clima da cidade, o frio e a umidade no inverno, o calor sufocante no verão. Queria ir para Santa Catarina, Rio, Nordeste. Na hora, sem pensar muito, só pensando naquela deusa, topei. “Só deixa eu achar um emprego em alguma cidade, antes de ir, né”. Afinal, chegar em outro lugar de mãos abanando, e eu nem tinha uma grana guardada para iniciar nova vida. E nem ela, que queria largar a faculdade. “Eu quero ir logo” , disse ela, que fazia um beicinho como ninguém. Ah, eu iria mover montanhas para...

“Cada um por si”

Imagem
Final de tarde de um domingo nos anos 1980. Retornava de um jogo com um grupo de amigos, éramos uns 10 carinhas caminhando pela rua completamente vazia, no mais animado papo. O sinal fecha para nós, e paramos, esperando a liberação. Finalmente o sinal vermelho, retomamos o passo, quando um carro – e não me adianta perguntar qual carro, pois quem acompanha minhas histórias sabe que não tenho a mínima ideia de marcas – quase atropela aquele grupo enorme. No reflexo, o Fernando enfia o pé na porta do carro e ainda dispara um furioso “filho da puta!”. Putz, na mesma hora o carro dá uma baita freada e sai de dentro dele um alemão enorme, segurando um revólver 38, que aponta para a gurizada. “Quem chutou meu carro, quem é o filho da puta aqui?”, berrava o cara, alucinado. Deu, nos fodemos, vamos levar bala, pensamos. Aí alguém, não recordo, deu uma de alcaguete, apontando o dedo pro Fernando. E o resto de nós também não foi muito fiel, ao se afastar dele, que ficou ali, sozinho, no meio da ...