“Assalto”

Lá por 2009, 2010, todos os sábados eu ia ao cinema no GNC Moinhos na sessão das 19h, 20h. Na volta, por volta das 23h, 23h30min, sempre pegava o T3 ali no Parcão, e quando chegava na parada da Icaraí quase esquina Campos Velho eu descia do ônibus. E várias vezes eu vi o veículo, vazio, entrar na Campos Velho ao invés de ir para o final da linha, no BarraShopping. Então num sábado, o T3 está na Icaraí, e apenas eu, a cobradora e o motorista lá dentro. Pô, então eu penso, bem que poderia pedir para ficar no ônibus e descer em frente ao prédio onde moro, e não precisar caminhar quatro quadras se ele entrasse na Campos Velho, onde moro. Como estou lá atrás, nos últimos bancos, me levanto e vou em direção a cobradora. “Moça”, chamo. No mesmo momento ela dá um berro: “Não, não, por favor, hoje não, não nos assalte”. Eu paro no meio do corredor, assustado. “O que foi, o que foi?”, olhando para trás, talvez houvesse mais alguém no ônibus, um ladrão, mas não, apenas eu de passageiro. Ela está de braços levantados e o motorista vai freando o ônibus. Aí entendi. Ela viu aquele negão levantando e indo em sua direção e pensou em assalto. “Não, não, só iria perguntar para vocês se o ônibus vai entrar na Campos Velho e se eu poderia ficar nele até descer em frente ao meu prédio...”, digo. “Menino, que susto”, diz a cobradora. “Pô, tu vê um negão e já pensa em assalto”, falo. “Não, não foi isso. É que nesta semana um cara ficou sozinho no ônibus, levantou, veio até aqui e colocou uma arma na minha cara. E era loiro”, conta a cobradora, aliviada e já dando risada. O motorista também entra no papo e poucos minutos depois me deixam bem em frente ao meu prédio, são e salvo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

“Fidel”

“A irmã Parte 3”

"Pila, pila"