Trabalhando na redação da Ipanema FM, lá no Morro Santo Antônio, entra um gordinho engravatado, acompanhado de uma guria grávida. Era vendedor de assinatura da revista IstoÉ. Pede uma força, já que a esposa está grávida, e ele precisa vender um determinado número de assinaturas, para ganhar uma graninha extra, afinal será pai. Comovido pela esforço dos dois, faço uma assinatura da IstoÉ, mesmo comprometendo um dinheiro que estava juntando para adquirir meu apartamento. Exato um ano depois, o mesmo gordinho entra na redação da rádio, senta na cadeira dos visitantes, e se anuncia vendedor de assinaturas, como se eu fosse esquecer. E pergunto: “E aí, cara, como tá a mulher e o filho?”. O gordinho me olha com uma cara de que não está entendendo nada. “Como assim, que mulher, que filho?”, replica ele. “Ora, no ano passado você esteve aqui com...” Não preciso terminar a frase. O carinha se entregou, estava mentindo. A guria grávida era a irmã dele, que ele usava como isca para comover os trouxas a assinarem a revista. “Foi mal, né?”, se desculpa. “Cara, tu é um ratão, como tu vai esquecer que esteve aqui?”, debocho, apesar de ter sido enganado. “É tanta gente, tanto lugar...”, lamenta o gordinho, e por pouco não renovo a assinatura.
Guaibadas é uma homenagem a Porto Alegre e o rio/lago que o circunda, cidade em que se passa a maioria das histórias que vou contar aqui. Histórias que aconteceram comigo, com amigos e amigas, com conhecidos e desconhecidos. Alguns causos são hilários, outros apenas divertidos, muitos são tristes, outros não tem nada de especial, mas mesmo assim devem ganhar a luz do dia. Enfim, um olhar sobre o porto-alegrense e suas loucuras.
sexta-feira, 26 de abril de 2013
O vendedor
Trabalhando na redação da Ipanema FM, lá no Morro Santo Antônio, entra um gordinho engravatado, acompanhado de uma guria grávida. Era vendedor de assinatura da revista IstoÉ. Pede uma força, já que a esposa está grávida, e ele precisa vender um determinado número de assinaturas, para ganhar uma graninha extra, afinal será pai. Comovido pela esforço dos dois, faço uma assinatura da IstoÉ, mesmo comprometendo um dinheiro que estava juntando para adquirir meu apartamento. Exato um ano depois, o mesmo gordinho entra na redação da rádio, senta na cadeira dos visitantes, e se anuncia vendedor de assinaturas, como se eu fosse esquecer. E pergunto: “E aí, cara, como tá a mulher e o filho?”. O gordinho me olha com uma cara de que não está entendendo nada. “Como assim, que mulher, que filho?”, replica ele. “Ora, no ano passado você esteve aqui com...” Não preciso terminar a frase. O carinha se entregou, estava mentindo. A guria grávida era a irmã dele, que ele usava como isca para comover os trouxas a assinarem a revista. “Foi mal, né?”, se desculpa. “Cara, tu é um ratão, como tu vai esquecer que esteve aqui?”, debocho, apesar de ter sido enganado. “É tanta gente, tanto lugar...”, lamenta o gordinho, e por pouco não renovo a assinatura.
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