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Mostrando postagens de maio, 2013

“Coleguinha”

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Estou na redação do Correio do Povo, quatro da tarde, levanto a cabeça e vejo uma coleguinha me encarar pela quinta vez em dois dias. Ela abre um sorriso tímido. Baixo de novo a cabeça. Uns dez minutos depois, a cena se repete. Não tenho dúvidas. Pego o telefone e ligo pro ramal dela. “Me encontre lá na Casa de Cultura em dez minutos. Vamos tomar um café”. Na mesma hora, a guria levanta e sai...para meu espanto. Ela passa por mim, dá uma piscada e sai da redação. Eu espero uns minutos e vou atrás. Quando chego ali em frente à Casa de Cultura, a guria já está me esperando. Em silêncio pegamos o elevador e vamos ao Café Concerto, no sétimo andar. O silêncio continua imperando, até fazermos o pedido. O garçom sai para buscar os cafés. “E então?”, digo. “Então”, repete ela. “Aqueles olhares...”, continuo, para um segundo depois, a guria enfiar a língua na minha garganta. “Eu tenho namorada...”, tento dizer, antes de me entregar ao desejo. Pelo menos conseguimos tomar o café, antes de desc...

"As coxas"

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Indico uma namorada para trabalhar na redação da Rádio Guaíba, mas para evitar comentários desnecessários dos colegas, a gente combina de não revelar que somos um casal. A guria entra no mesmo turno em que estou, e a gente nem se fala. Esperamos acabar o serviço, e se encontra na Casa de Cultura pra trocar uns beijos e amassos, antes que eu volte pro turno no Correio do Povo. À época, as meninas usavam aqueles vestidinhos pretos, que mal chegavam nos joelhos, acho que chamavam de tubinho, e ela tinha umas coxas deliciosas. Aí o que acontece? Estou no corredor da rádio tomando um café, quando o Ricardo Vidarte, então repórter do esporte, me pega pelo braço. “Tu já viu a gostosa que tá trabalhando ali no jornalismo?”, pergunta ele. “Não, cara”, respondo. “Então vem cá”, manda ele, me puxando. A gente chega na sala, ele aponta discretamente a minha namorada, e sussurra baixinho no meu ouvido. “Olha só, que coxas, que bunda, eu até batia uma punheta praquela gostosa”, diz. Não poderia per...

“Toc”

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Todo mundo tem algum tipo de toc, todo mundo. Mesmo que seja mínimo. Fica nervoso ao ver um armário aberto, não sossega enquanto não tira aquele fio de cabelo no ombro do casaco de alguém, olha mil vezes se desligou o gás ou apagou a luz, lava a mão mil vezes por dia. Então lá estou eu, sentado na redação, plantãozinho, a Folha de S. Paulo de domingo do meu lado, intocada. Então um colega chega do nada, pega o jornal, separa a Ilustríssima, e diz que já me devolve...não tenho tempo de dizer não. E quase tenho um ataque cardíaco, pois não gosto de pegar jornal e revistas folheados, a menos que EU tenha folheado eles. Só deixo passar porque é um colega querido, e fico com vergonha de revelar meu toc. O colega se afasta, senta no lugar dele e fica folheando o jornal, e eu ali, bisoiando, torcendo para que a FSP não seja amassada. Dez minutos depois, o colega devolve o caderno, e o pego nervoso, torcendo para estarem pelo menos com as folhas alinhadas. Em vão, para aumentar minha taquica...

“A mensagem”

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Ih, estou aqui tomando um vinhozinho e ao levantar para ir ao banheiro, a tontura bateu. Aí recordo de uma vez, há muito tempo atrás. Era uma segunda-feira, chovia muito, e eu havia brigado com a então minha namorada Sandra. Não lembro o motivo. Para afogar as mágoas, fui bebendo um vinhozinho ótimo, e o resultado foi uma choradeira, conectada com o temporal lá fora. Precisava conversar com alguém para desabafar...ao levantar da poltrona, a tontura tomou conta de meu corpo. Desabei direto no chão, completamente alcoolizado. Apaguei por alguns segundos, minutos, não sei...mas acordando, vi o telefone e liguei pra Fabi Madeira...mas passava da uma da manhã, e a ligação caiu na secretária eletrônica. Sem problema. Sai conversando, e na minha mente, explicando o que havia acontecido, o que faria no dia seguinte para fazer as pazes com a Sandra. Ih, a ligação, para mim, durou horas. Até que apaguei por completo. Acordo novamente lá pelas cinco da manhã...No dia seguinte, já sóbrio, chego n...

"A surra"

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Putz, como apanhei nos primeiros tempos de colégio. Repetindo a sexta série, não foi diferente o meu destino. Estava lá eu na quadra de futsal do Paula Soares, que ficava no pátio secundário do colégio, lá na General Auto. Recreio, 10h da manhã, e eu fazendo meu lanchinho, pensando na vida, e olhando a gurizada jogar bola com uma tampinha de garrafa. As gurias estavam sentadas na escadaria do ginásio, onde no inverno jogávamos vôlei e ensaiávamos as peças de teatro. Eu vestia uma camiseta branca e a calça era aquele tradicional abrigo da Adidas, azul marinho, com as três listras brancas nas laterais. Abano pra Andréia, pra Flávia, pra Cláudia Batata, pra Diana. E quando elas retribuem o abano, sinto algo estranho. Olho pra baixo, e os carinhas da sétima série acabaram de puxar o meu abrigo pra baixo, levando de carona a minha cueca. Fico ali no meio do pátio, sendo zoado por eles, olho pra eles, olho pras gurias e não sei se largo meu sanduíche pra levantar a calça ou se choro. Puxo a...

"Beijinho"

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Estou lá na Renner, procurando uma camisa, e ouvindo música no meu ipod. Olho pro lado, em busca de um atendente, quando noto que uma das gurias do caixa está me olhando. Bonitinha, fofinha. Ela sorri e retribuo o sorriso. Continuo olhando as camisas, viro o rosto e lá está a guria, agora ela me manda um beijo. Sério? What a fuck? Só pode estar de zoeira. Procuro as câmeras do Topa tudo por dinheiro. Aponto o meu peito com meu dedo indicador, como dizendo “Eu?”. Ela balança positivamente a cabeça e manda outro beijo. Não, é sacanagem. E das boas. Procuro algum amigo sacana nas proximidades, mas não encontro nenhum. Tento me concentrar na procura da camisa, encontro o que quero e olho pra guria, que está de cabeça baixa, atendendo um cliente, pegando dinheiro no caixa. Respiro fundo, e decido ver qual é a dela. Será que conseguirei ser atendido por ela na minha vez. Bem, qualquer coisa, deixo alguém passar na minha frente. Quando chega a minha vez, me aproximo e dou oi. “Oi”, me respon...

“A caganeira”

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Finalmente aquela gata que eu sonhava em dar uns amassos aceitou sair comigo depois de insistentes três meses. A convidei prum barzinho no sábado à noite, mas a Miriam foi direta. “Os meus pais estarão viajando sábado. Vem aqui pra casa. Eu faço a janta e tu traz o vinho”, diz ela. Não precisa falar duas vezes. No dia seguinte compro duas garrafas de um bom chileno, e fico imaginando o sábado. A imaginação vai longe, eu sonhando em me esbaldar naquele corpo lindo. Chega o dia, eu já acordo tremendo todo. O medo é tanto, que penso em desistir. No meio da tarde, a Miriam me liga. Olho pro telefone e penso: “Tomara que ela desista”, pois estou em pânico. Atendo. “Chico, cheguei agora do súper. Tu pode vir às seis? Aí tenho tempo de arrumar as coisas, tomar um banho, essas coisas de mulher, sabe, né?”. Minha nossa, não tem como recuar. “Estarei aí”, digo, anotando o endereço. Nisso, começa a cair o maior aguaceiro em Porto Alegre, mas como diz o velho ditado, quem está na chuva é pra se...

“A vegetariana”

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Na faculdade tinha uma loirinha linda chamada Angela, longos cabelos ondulados, que fazia publicidade. Claro que fiquei de olho na guria. E depois de espreitar a menina, a convidei para almoçar. E para minha surpresa, recebi um sim como resposta. Agora onde iriamos nos encontrar depois da aula? Pensei em alguma lanchonete no centro de São Leopoldo, onde vendiam uns pastéis deliciosos. Mas a Angela sugeriu outro lugar. “Conheço um local tri, tu vai amar”, sugeriu ela. Topei, claro, tinha de fazer gênero, né? E onde ela me levou? Num restaurante vegetariano. E para mim, um bife bem suculento é essencial. Só que queria impressionar a Angela. Mas os pratos oferecidos, para mim eram totalmente intragáveis. Mas não iria me entregar facilmente. Escolhi um, e pedi suco de laranja. Muito suco de laranja. Foram seis copos, para disfarçar o gosto e empurrar aquela coisa goela abaixo. “Nossa, como tu gosta de suco de laranja”, disse ela. “E tá boa a comida?”, perguntou. “Tá ótima”, menti. Fui tã...

"Minha Luta"

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Outro dia a Carmem Gamba contou ter surrupiado mais de 200 livros ao longo dos anos, quando confessei ter passado a mão em pilhas para suprir meu walkman. Estava vacinado, mas uma vez quase tive uma recaída. Eu queria muito ter o Mein Kampf na minha biblioteca sobre a II Guerra Mundial. Porém além de o livro ser proibido, custava uma nota preta, e isto é irônico em se falando de um livro do Hitler, numa livraria que o vendia clandestinamente ali na Marechal Floriano. O único exemplar ficava num cantinho lá no fundo da livraria, e ninguém ousava tocar nele, isso lá no final dos anos 1980. Eu entrava lá, pegava ele na mão, folheava, e colocava o livro dentro da pastinha da Unisinos. Era a minha luta...entenderam? Então me arrependia, e voltava a por o Mein Kampf na estante. Isso durou umas duas semanas, repetidamente. Então decidi: roubaria aquele livro. Entrei na livraria, fui direto ao livro e o peguei na mão, quando veio o arrependimento. Me dirigi então ao carinha do caixa, e pedi p...

“A prova”

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Minha primeira namorada, dois anos mais velha do que eu, era virgem. Ela já tinha namorado outros dois carinhas, mas o máximo que fizera fora segurar o pau de um deles. E quase morrera de vergonha. Então eu fora sorteado para ser o primeiro dela. Eu já tinha perdido a virgindade com uma prostituta e esta história fica para outro dia. Depois de intensos e diversos amassos em cinemas, como o Imperial, Vitória, Cacique, a gente estava que não se aguentava mais para ir mais fundo. Na época, meados dos anos 1980, eu morava numa república ali na Duque de Caxias com mais dois carinhas. Sábado à tarde, os carinhas, mais velhos e estudantes da UFRGS, estavam viajando para suas cidades. Beleza, o apartamento só pra mim. Levei a guria para lá, coloquei para rodar um disco do Fleetwood Mac, e nos despimos. Envergonhados. E completamente desajeitados. Não teve jeito. Por mais que tentássemos, não conseguimos completar a missão. Ela sentiu muitas dores, eu não conseguia penetrá-la direito. Acabam...

“Rebobine, por favor”

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Já falei diversas vezes da minha namorada ciumenta. E olha que tem coisa. Sábado de inverno, friozinho gostoso para ficar em casa, vendo filme e tomando chocolate quente. É o que fazemos eu e ela. Abraçadinhos no sofá assistindo a um filme de suspense, quando em determinada cena, a atriz principal, uma bela francesa, vai entrar em determinada parte do prédio, onde está escondido o vilão. E o que acontece? Envolto no filme, eu solto um “não entra aí, bonitinha”. No mesmo instante, a minha namorada dá um berro: “O que tu disse”. Eu repito o aviso. E a minha guria: “Tira o filme, tira o filme agora mesmo”. “Mas...”. “Não tem mais, tu está me humilhando”, exagera ela. “Por quê? Como?” “Tu fica babando por outras mulheres”. “Amor, é um filme, um filme”, insisto. “Tira”. Pego o controle remoto, enquanto ela sai para o quarto. Paro a fita, sim, era a época do VHS. “Agora tu leva o filme de volta pra locadora”. “Amor, tu está exagerando”. “Não, não estou. Pode levar a fita, se não vou pra c...

"O rádio"

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O Denilson ganhou do pai dele um rádio-gravador, daqueles que os caras carregavam para cima e para baixo pelas ruas nos anos 1980. Não se desgrudou mais do aparelho, sempre ligado, o que era um inferno para as pessoas que estavam por perto. Algo exatamente como fazem os funkeiros hoje e seus celulares em ônibus e trens. Só que o carinha escutava som pop, mas igualmente irritante, pois em seu toca-fitas parecia ter apenas duas músicas. A gurizada ficava sentada ali na esquina do armazém do seu Manoel, um comerciante irascível e por vezes grosseiro ao extremo. E de repente lá vinha o Denilson e seu rádio, tocando ou Forever Young, do Alphaville, ou então Making Love, do Air Supply. Duas baboseiras românticas e intragáveis. Elas terminavam, ele fazia o rewind e elas começavam de novo. E o pessoal pedia para ele parar com aquela tortura, e o Denilson fazia exatamente como os funkeiros, dava de ombros, mandava todo mundo à merda e prosseguia com aquilo. Até que um dia o irmão do Valmor, o ...

“A puta”

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Eu tinha uma namoradinha dois anos mais velha do que eu, que já estava fazendo cursinho, lá no Universitário. Eu saia do Paula Soares quando estudava à noite e ia buscá-la lá na Dr. Flores. A gente ainda não havia transado, nós dois éramos virgens. E o que acontece? Um dia não tive os dois últimos períodos, sai mais cedo do colégio e fiquei dando voltas pelo Centro, até a hora de encontrar com ela. Naquele tempo não existia celular, então o jeito era ficar num ou outro lugar esperando por horas. Aí passo numa rua e vejo uma baita loira fazendo ponto. Fico babando, mas não me atrevo a chegar perto. Às 22h30min encontro minha namorada e a levo pra casa. Já em casa, a loira não sai da minha cabeça. No dia seguinte, mato os dois últimos períodos só para ver se encontro a puta fazendo a ronda dela. E lá está ela. Respiro fundo, aperto as mãos e chego perto. “Oi”, digo. “Oi”, responde ela. “Quanto é?”, pergunto. Ela me diz o preço, que não recordo, ainda mais depois de tantas trocas de moed...

“E aí, brô”

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Aconteceu agora há pouco. Fui pegar o ônibus ali em frente ao Gasômetro, e tinha um carinha sentado no banco da parada, puxando um fuminho e batendo cabeça, pois estava com fones de ouvido. O que estaria escutando? Eu sento dois bancos do lado, e ponho meus fones de ouvido. O cara faz um sinal, me chamando. Tiro os fones. “Sim?”. “E aí brother, o que tu está escutando aí? Tá ouvindo a Ipanema? Eles tão tocando Nirvana”, informa. “Não, estou escutando Exodus”, respondo. “Massa, Bob Marley”, vibra o carinha. “Nós, maconheiros sabemos o que é bom, né?”, continua ele, fazendo o sinal de positivo pra mim. “Ops, tu tá enganado, não estou ouvindo Marley, aliás acho reggae uma chatice monumental”, acrescento. “Mas é Exodus, baita disco”, diz ele. “Não, Exodus, a banda de heavy metal”, digo. ”Não, não, Exodus é o disco do Bob Marley”, insiste. Levanto e deixo ele escutar o meu Exodus. “Ah, é metal, parece Pantera”, analisa ele. “Não parece não, mas deixa assim”, falo. “Tu não curte Marley, m...

“Nem pensar”

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O Rudi era um amigo meu, também negão, que estava completamente entusiasmado com seu casamento com a colega de faculdade de direito, uma alemoa lá de Feliz. O amor entre os dois havia sido quase instantâneo no primeiro dia de aula na Unisinos. Mas a timidez imperou, outros rolos aconteceram e os dois nunca se declararam. O namoro só iria rolar anos após a formatura. O Rudi passou uma temporada no exterior, sem contato com a guria. Na época, nada de internet, então a comunicação era feita por cartas, e os dois trocaram uma, duas, até perderem o contato. Quando ele voltou para Porto Alegre, os amigos e colegas fizeram um jantar de comemoração e o Rudi reencontrou a ex-colega. Combinaram de sair, e o namoro teve início. Um ano depois, casaram. Muito, muito amor, que acabou de forma brusca. Quase estúpida. Um dia estavam deitados na cama, ele pegou-a pelos cabelos, a encarou bem nos olhos. “Querida, vamos fazer um filhinho, uma filhinha, uma neguinha linda, de grandes olhos verdes? Imagi...

“O porre”

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No final de 1982, o pai e a mãe separados, decidi ficar na casa de meu velho no Ano Novo, ouvindo música. O pai, porém, se bandeou pra igreja, vivia nela, e a mãe estava com seus irmãos e outros parentes em outro lugar. Então eu e o alemão Sérgio Ludvig resolvemos fazer uma massa com galinha, e compramos um daqueles garrafões de cinco litros de vinho tinto que deixavam os dentes manchados. E começamos a beber, beber, beber...o vinho foi pegando, o som bem alto, a gente estava escutando Van Halen, Kiss, era a época do clássico I Love It Loud. A vizinha era uma gostosa que costumava tomar banho de sol e a gente ia pra janela olhá-la de binóculos. Claro que como era noite, a Simone não estava se banhando né, mas estava lá com os familiares dela, comemorando a chegada de 1983. Eu e o Sérgio chegamos na janela, e começamos a gritar: “Aparece, sua gostosa, gostoooooosa”, e riamos, riamos como se não houvesse amanhã. Repentinamente, meu estômago começa a embrulhar, a fazer um ruído estranho...

“Vampiro”

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Há alguns anos fui viajar com uma namorada. Nós estávamos naquela fase intensa da paixão, trepando em qualquer lugar que desse. Pois estamos programando um dia de intensas caminhadas pela cidade que visitávamos naquele momento, quando começa a cair um tremendo temporal. Olhamos pela janela, e era tanta água que não dava para ver nada lá fora. O jeito foi abortar o passeio e ficar deitadinho na cama, escutando música. Naquela manhã a minha namorada havia menstruado, então fazer sexo estava fora de questão...não totalmente, pois certas coisas não ficam inviabilizadas, se é que me entendem. A guria não perdeu tempo e fez um ótimo trabalho com a língua em meu pau. Terminado o boquete, ela não quis ser penetrada. Pediu algo mais impensável naquele momento. “Amor, me chupa”. Olhei para ela, pensando ser brincadeira, mas não, não era. Ela queria mesmo que eu colocasse a língua em sua vagina. “Tu tá menstruada”, lembrei. “Mas eu quero sentir tua língua na minha buceta”, gemeu ela. Ah, o amor...

“Mentirinha”

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Era uma gordinha muito bonita. Fiquei encantado por ela e não desisti enquanto não a convenci a ir pra cama comigo. Na primeira vez fomos para um motel. O carinha da recepção ficou nos olhando, com um sorriso debochado nos lábios, e quando nos dirigíamos pro quarto, ouvi ele falar bem baixinho. “Bah, o negão vai se esbaldar hoje, se é que não vai morrer esmagado”. Pensei em voltar e dar uns sopapos no idiota. Desisti. Queria mais curtir a guria. E olha, ela se esmerou muito. Politicamente incorreto, até pensei naquela máxima de que as gordinhas são as melhores trepadas porque acham que estão transando pela última vez na vida. Após algumas vezes decidi poupar os trocados do motel, e convidar a guria pra ir na minha casa. Ela aceitou na hora. A guria chega lá em casa, a gente dá uns amassos no sofá, e ela sussurra no meu ouvido: “Negão, vai me esperar na cama, enquanto eu vou ao banheiro”. Dito e feito. Me mando pro quarto, deito, com o pau já preparado, e ela vai se preparar. Quando e...

“A Virgem”

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Uma vez namorei uma guria, já com 30 anos, bonitinha, inteligente. Beijava muito bem. Mas na hora do contato mais íntimo, ela travava. Nervosismo, pensei com meus botões. Algumas pessoas precisam de um tempo maior para se soltar. Tranquilo. Mas como éramos grandinhos, só beijos não bastavam. Eu queria mais. Num sábado, após o cinema, a convidei para irmos pra minha casa. A guria se apavorou, e recusou. Precisava ir para a casa estudar, disse. Tudo bem, deixamos para o outro final de semana, eu disse, cheio de tesão. No meio de semana, a guria me liga e diz que não quer mais continuar namorando. “Mas qual o motivo?”, pergunto. “Só não quero mais”, ela responde. Não insisto. Tchau. Mas chega o sábado e ela me liga. “O convite de a gente jantar na tua casa ainda está de pé?”, pergunta. “Está”, digo, pensando que não só o jantar está de pé. Ela diz que chega em uma hora. Vou preparando, enquanto isso, a casa, peço a janta por telefone, separo as camisinhas. E o que acontece? A guria chega...

"Os quadros"

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Namorada nova, apaixonadíssimo, e cego, só vejo as coisas boas da guria. Corpo violão, longos cabelos loiros, olhos azuis, peitão. Nem me dou conta que nós dois tínhamos muito pouco em comum. E comecei a ver as coisas com mais clareza quando a Bia veio à minha casa pela primeira vez. A guria faz a tradicional visita pelo apartamento, e para em frente a um quadro do Iron Maiden. “Irãn Maidên, o que eles tocam?”, pergunta ela. “Airon Mãeden”, corrijo. “É uma banda de heavy metal”. “Ah, aquelas músicas de louco”, conclui a Bia, seguindo em diante. À sua frente um quadro com a capa do The Dark Side of the Moon. “Chico, tu é gay?”. “Ah, como assim, Bia, tu fumou?”, me espanto. “É que esse quadro tá com o arco-íris dos gays”, analisa. “Bia, esta é a capa do The Dark Side of the Moon, do Pink Floyd”, explico. “Viu, pink, rosa, é coisa de bicha”, continua a guria. “Bia, tu não conhece o Pink Floyd?”, meu espanto vai crescendo. “Além do mais, como posso ser viado se te como, e muito bem, aliá...

“O médico”

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Estou na fila do banco, quando um velhinho passa na minha frente, afinal ele tem a preferência. Ele começa a conversar com o caixa, e eu lembro dele, era o médico de minha mãe há muito tempo. “Dr. Roberto, né?”, pergunto. “Sim”, responde o senhorinho. “Não vai lembrar de mim, mas sou o filho da Flora”, me apresento. Ele olha, olha, e...”tu é o Chiquinho?”. Faço sim com a cabeça. “De Chiquinho tu não tem mais nada”, afirma o Dr. Roberto. “Pô, guri, como tá a tua mãe?”. “Bem, bem”. “Estou espantado, guri, o teu tamanho, fico pensando na Florinha, pequenininha...”, diz ele, começando a falar baixo. “Vem cá, tua mãe deve ter sofrido muito para te dar a luz. Tu deflorou a Flora no teu nascimento”, brinca ele. “Agora, raciocina comigo, guri, quando uma mulher dá a luz a um bebê grandão , quatro, cinco quilos, sofre, geme, xinga, mas segundos depois, pensa, ah, quero ter mais uns dois”, vai analisando. “Aí penso, tu tá lá querendo transar com tua namorada, mulher, e ela reclama quando tu en...

“Coleção”

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Há alguns anos atrás fui morar com uma namorada. Ciumenta ao extremo. Das minhas amigas, amigos, dos meus discos...ih...a lista era grande. Eu colecionava a revista Playboy desde o começo da adolescência, e não queria me desfazer delas de jeito nenhum. Tinha as edições da Xuxa, da Claudia Ohana, Luciana Vendramini, Lúcia Verissimo , as trigêmeas gaúchas, Mara Maravilha, , Vanusa Spindler, entre outras. Com fazer? Bem, no nosso apartamento havia um enorme roupeiro, e lá na parte mais alta, um fundo falso...feito. Coloquei as mais de 100 revistas naquele lugar, dentro de uma caixa, tapadas com um cobertor. E na frente de tudo, um monte de sacolas com camisas de futebol e de banda. Ficou muito bem camuflado. Mas não existe crime perfeito. Um domingo, invernão, frio tremendo, fui trabalhar e minha namorada ficou em casa, sem ter o que fazer. Ela então pensou, ao invés de ficar deitadinha na cama, vendo tevê ou lendo: “Ah, vou dar uma arrumada no roupeiro”. Para chegar na parte mais alta,...

"O gênio"

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Não sei se fiz certo, mas o espírito de porco tomou conta de mim na festa da Revista Goool, no dia 17 de maio. Estou lá batendo um animado papo com o Daniel Boucinha e o Alexandre Lopes Correa, quando enxergo o Luis Fernando Veríssimo, sua esposa Lucia e o Paulo Sant’Anna sentadinhos num cantinho, quietinhos. Puxa, o Veríssimo, penso eu, fã de carteirinha. Peço licença aos guris e vou em direção a ele. “Com licença”, peço. O Verissimo levanta os olhos, abre um tímido sorriso, e eu falo. “Desculpe te incomodar, mas sou seu fã desde sempre”. Ele me cumprimenta, digo que sei de sua timidez e que também sou, mas precisava conhecê-lo. A dona Lucia também me cumprimenta, e eu começo a gaguejar. “Fica tranquilo, meu filho”, diz ela, carinhosamente. Relaxo, e saio falando. Ah, o Sant’Anna me olhava intrigado, pois não fiz questão de cumprimentá-lo. Então eu disparo: “Verissimo, tu é o melhor cronista aqui da terrinha, tu é um verdadeiro gênio”. Deu...o Sant’Anna com seu ego imenso e insuport...

“Violão”

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Amo música e sou um músico frustrado, por não saber tocar nenhum instrumento. Mas não foi por falta de tentativa. Aos seis anos, comecei a ter aulas de violão com o Antônio Carlos, filho do padrinho de minha mãe. O problema é que o cara não era nenhum pouco paciente com uma criança em tão tenra idade. As aulas eram aos sábados, no final de tarde, logo após o programa do Jacques Costeau na Difusora, Canal 10, atual Band. Ele começava a aula me jogando o violão no colo e querendo que eu já saísse tocando feito Jimmy Hendrix. Quando eu errava uma nota, levava um safanão. Criança, tímida, esboçava um choro, e levava outro safanão na orelha. Além disso, o Antônio Carlos insistia para que eu tocasse Vento Negro. Por quê? Por quê? Porque todo mundo que estudava música nos anos 1970 e 80 em Porto Alegre começava aprendendo esta música dos Almôndegas. Sei que um ano depois, sem nem conseguir me acertar com as cordas do violão, desisti das aulas. E em 1982, o Antônio Carlos, depressivo, irrita...

"O culpado"

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Este negócio de alguém perguntar como está um parente, uma namorada, sei lá, às vezes incomoda, mas as pessoas só estão querendo ser atenciosas. E por isso acabei me dando mal nesta semana. Encontrei uma amiga querida e conversa vem, conversa vai, para encerrar o assunto, solto: “Meu doce, tua mãe tá bem? Manda um beijão pra ela”. No segundo seguinte, minha amiga devolve: “A mãe morreu no final do ano passado”, e desaba no choro. Não sei o que fazer, começo a soltar desculpas, que não aplacam a dor da lembrança dela. E o que recordo? Um tempo atrás encontro um colega de faculdade que há muito não via. E o carinha: “E ai, como tá teu pai, o velho Chicão?”. “O pai está morto”. “Mas como, quando foi isso?”, espanta-se meu ex-colega. “Há 20 anos”, e começo a chorar de sacanagem, de mentirinha. “Me desculpe, me desculpe”, implora o coleguinha. “Por que, foi tu que matou ele para vir se desculpar?”, continuo fingindo. Sei, a brincadeira foi longe demais, mas não resisti. Quando o carinha es...

“O Cheque”

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O Possas, certa época, após encerrado o seu primeiro casamento, começou a colecionar garotas de programa. Explico: ele pegava os classificados do jornal no domingo, anotava a que lhe interessava, ligava para ela, acertava o esquema, e depois de consumado o fato, recortava o anúncio da menina e colava num caderno, que escondia num baú embaixo da cama. Só que tanta putaria custava dinheiro, e ele foi minguando. Um dia, o Possas pagou uma hora de sexo selvagem com cheque. E não é que dias depois, a guria foi descontar o dito cujo e...bem, a menina sabia onde o Possas trabalhava, ou seja, no Correio do Povo. E foi lá no jornal por volta das oito da noite numa terça-feira. Chega na portaria, e diz que precisava falar com o Possas. O porteiro simplesmente manda a guria subir. E o que acontece? O Possas sentava de costas para a porta. A menina, salto agulha 12cm, mini-saia vermelha, blusinha deixando o umbigo à mostra, e uma bunda maior do que uma melancia, para atrás dele e anuncia: “Alfre...

“Prestígio”

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Odeio coco. Com toda a convicção do mundo. Eu tinha uns 10 anos e gamei numa colega de colégio, a Flávia Carvalho. Mas quem acompanha minhas histórias, sabe que o mudismo imperava na minha vida infantil e adolescente quando o assunto era garotas. Mais ou menos como o Raj, do Big Bang Theory. A mãe, então, ganha um bombom prestígio de meu pai. Ela não come na hora, deixa em cima da mesinha da tevê para comer no final de semana vendo algum filme ou novela. Passam um, dois, três dias, e o prestígio ali. E eu querendo trocar uma, duas, três palavras com a Flávia. Como poderia me aproximar dela? Ora, levando um presente. E pego o doce. No recreio, chego na menina, e digo: “Tó, pra ti”. “Izidro, obrigada”, agradece ela, devorando o presente em seguida. O papo? Não teve, pois voltei pro meu silêncio natural. E que teria consequências nefastas quando chegasse o final de semana. Estou ao lado de meus pais, vendo Os Trapalhões. Recém havíamos acabado de jantar. E a mãe diz: “Agora vou comer me...

“O frio”

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O frio chegou a Porto Alegre, e eu e a Simone Rocha caminhamos pela Rua da Praia. Estou usando apenas uma camisa preta do Iron Maiden e ela reclama que deveria ter colocado mais uma blusa, apesar de estar de jaqueta. “Chico, tá frio”, reclama. “Guria, para de frescura”, digo. “Vou congelar”, continua ela. “É que tu não está mais acostumada com o frio daqui, depois de passar anos em Vitória”,analiso. A Simone continua gemendo, e na nossa direção se dirige uma guria toda encasacada, manta, boina, se apertando toda. Parece estar morrendo. “Que frescura, olha aquela mulher ali, que coisa mais fresca, com aquele monte de roupa. Imagina quando chegar o inverno mesmo”, aponto. Damos mais dois passos e vejo quem é a guria, e começo a rir. Bah, eu estava corneteando a Sirlei Pastore, toda elegante, como estivesse em Paris. “Sissi, me desculpe”, peço. A baixinha não entende, e a Simone me entrega. E levo uma bolsada da Sissi.

“O doido”

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Recebo o convite para uma festa na casa de um vizinho, sábado à noite, na Cidade Baixa. Na época eu morava na João Alfredo, ali bem pertinho de onde hoje é o Ossip, e onde antigamente do lado de meu prédio ficava o Tudo Pelo Social. E lá vou eu para a festa. Toco a campainha e o anfitrião abre a porta, aperta a minha mão. “Entra aí, Chicão”. Entro e segundos depois, deparo com umas 15 pessoas sentadas em sofás, no chão, cheirando carreiras infinitas de cocaína, colocadas em pratos. “Fica à vontade, hoje é tudo free”, diz o dono do apartamento. Eu olho para ele, agradeço o convite e digo que estou indo embora. “Mas tu chegou agora”, estranha ele. “Cara, me desculpa, na boa, eu não sou chegado nesta parada. Sem problemas, cada um na sua, e esta não é a minha”, digo. O carinha fica me olhando, com os olhos arregalados, como se eu fosse um ser de outro planeta. “Claro que tu tá brincando, né?”, pergunta ele. “Não, sério, falo sério mesmo e estou indo”, confirmo. O cara continua fazendo u...

"A Hobbit"

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Toca o telefone e atendo, sem olhar o número. Geralmente quando a ligação é do trabalho ou de algum amigo mala, ou antes das 14h, não atendo. Mas eram 19h. “Alô?”, digo. “Oi, é o Chico?”, pergunta uma bela voz feminina, que não reconheço. "Sim", respondo. “Tu não me conhece, me chamo Monica, uma amiga me falou muito de ti, fiquei curiosa e pedi teu número. Quero muito te conhecer”, ela diz, sem pestanejar. Fico surpreso e claro, lisonjeado. Decido conhecer a guria. Marcamos de nos encontrar num final da tarde de sábado, no Praia de Belas. Quando nos vemos, parece que sempre nos conhecemos desde sempre. Tomamos um café, e acabamos nos beijando. Tudo muito direto. O próximo passo é o motel naquele mesmo dia. Ela é uma guria bonita, cabelos castanhos longos e cacheados, olhos também castanhos, uma boca pequena, cerca de 1,65m. E no quarto, ficamos completamente nus. Ou quase, pois a Monica se nega a tirar as meias brancas. Mas tudo bem, cada um com suas manias. O tesão é intens...

“Gente ruim”

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Encontro na rua a mãe de uma ex-namorada. E ela está furiosa, reclamando do modo como é tratada pelos motoristas de ônibus. “Todos grosseiros, a gente, que é velhinha, sobe no ônibus e eles nem esperam a gente se acomodar e arrancam. Toda a semana levo um tombo”, lembra. “Sabe o que é isso, Chico? As pessoas estão sem amor, estão desalmadas”, continua ela. “Mas eu sou feliz, pois tenho amor e sempre penso no próximo. Tenho pena das pessoas que não tem isso, são umas pobres coitadas, principalmente as que não tem religião”, dispara ela. “Ainda bem que nós temos religião, né, meu filho. Eu queria tanto que a minha filha tivesse religião, seria uma pessoa melhor, pois quem não tem não é bom!”, analisa. Olho bem pra ela, e pergunto: “Eu sou bom, dona Rosa?”. “Mas claro, tu é umas pessoa muito boa”, conclui ela. Aí eu revelo: “Mas dona Rosa, eu não tenho religião!”. A dona Rosa fica estática, e não tem como voltar atrás em sua definição em quem é bom ou mau. Então simplesmente me dá um tap...

“Grilo”

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Outro dia contei a história em que era vítima de bullying do Kevin, que nunca mais vi na vida. Pois tinha outro carinha que tinha minha ampla antipatia no Paula Soares. O Rogério e seus tênis Adidas branco e azul e zombando do meu kichute ou da minha conga e de meus óculos fundos de garrafa. O cara fazia parte da Turma da Matriz e era um marginal, que eu considerava quase do mesmo naipe do Micuím, do Bolívar e do Cigano Igor, que também passaram pelo Paula Soares na mesma época. Eu via o Rogério se aproximar e me cagava todo, sabia que viria sacanagem ali. Pois o tempo passou, saí do colégio e fui pra Unisinos estudar jornalismo. E numa bela noite lá estou eu na sala de aula, não recordo qual matéria, e entra um colega novo. Reconheci na hora, 10 anos depois, o demônio em pessoa. Tremi, voltei aos meus 10 anos de idade, quando me sentia frágil, indefeso. E onde senta o carinha? Ao meu lado. Como uma avestruz, escondo a cara no caderno. O cara olha pro lado, me observa, e fala. “Cara, ...

"Cada um por si"

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Final de tarde de um domingo nos anos 1980. Retornava de um jogo com um grupo de amigos, éramos uns 10 carinhas caminhando pela rua completamente vazia, no mais animado papo. O sinal fecha para nós, e paramos, esperando a liberação. Finalmente o sinal vermelho, retomamos o passo, quando um carro – e não me adianta perguntar qual carro, pois quem acompanha minhas histórias sabe que não tenho a mínima ideia de marcas – quase atropela aquele grupo enorme. No reflexo, o Fernando enfia o pé na porta do carro e ainda dispara um furioso “filho da puta!”. Putz, na mesma hora o carro dá uma baita freada e sai de dentro dele um alemão enorme, segurando um revólver 38, que aponta para a gurizada. “Quem chutou meu carro, quem é o filho da puta aqui?”, berrava o cara, alucinado. Deu, nos fodemos, vamos levar bala, pensamos. Aí alguém, não recordo, deu uma de alcaguete, apontando o dedo pro Fernando. E o resto de nós também não foi muito fiel, ao se afastar dele, que ficou ali, sozinho, no meio da ...

“The Lady’s Man”

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O Fabrício andava numa tremenda maré de azar em relação às mulheres. Não pegava nada, mesmo. E isso começava a incomodar. Numa noite, eu, ele, o Ilgo, o Possas, o Hiltor e o Leandro fomos tomar umas cervejas na Cidade Baixa. Num barzinho lá na Lima e Silva, estamos conversando animadamente, quando chega uma cigana, e pede para ler a sorte da gente. Recusamos, ela então tenta nos vender souvenires. De novo dizemos não. Então ela olha pro Fabrício e afirma, convicta: “Loirinha, tu é bicha, né?”. Bem na nossa frente. Não perdoamos. Risada geral. Horas depois, naquela mesma noite, alguém sugeriu de a gente ir no Dr. Jeckyll, que vivia o seu auge. O Hiltor e o Possas, que não são chegados em danceterias, pularam fora. Então fomos eu, o Ilgo, o Leandro e o Fabrício. O local estava cheinho, um monte de mulheres lindas. Paramos num canto, perto da escada, continuando a nos entupir de cerveja, quando passa uma loiraça. Ela encara o Fabrício, que abre um sorrisão e pensa, oba, me dei bem. Mas...

“Abstêmio”

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Ao me formar, consegui uma entrevista de emprego numa rádio, Verdes Pampas, lá em Santiago do Boqueirão, entre Santa Maria e São Borja. Me toco pra lá, indicado pelo seu Paulo, o dentista da cidade e pai do Dimitri, meu colega na faculdade, e do Andrei Silva, hoje um dos parceiros nos shows de metal no Opinião. Bem, chego lá na rádio, entro na sala do dono, que nem recordo o nome. Um escritório imenso, um mesão de madeira e o velho tomando um chimarrão, que me oferece. E eu recuso. “Senta aí, vivente”, me diz ele, com um puta sotaque gaudério, apontando a cadeira. Obedeço. “Bom, antes de começar a entrevista, uma pergunta”, fala ele. Fico quieto. “Guri, tu bebes?”. Pensa rápido, pensa rápido. Digo que não, pois realmente não bebia naquela época. “Buenas, então podemos continuar a charla”, decide ele. Quinze minutos depois, estou contratado. Aí pergunto: “Por que o senhor perguntou se eu bebia ou não?”. “É que todo o jornalista que trago da Capital pra trabalhar aqui acaba me trazend...

“Vitória”

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Entro no ônibus, lá pelas nove e meia da noite, após sair do jornal, sento e para não perder o costume vou abrindo um livro. O ônibus vai lotando e minutos depois de sair do final da linha, na Salgado Filho, escuto um barulho irritante. “Lek, lek, lek...”. Viro para trás e uma guria faz um sinal de que não é com ela. Ao lado, outra mulher aponta com o dedo um magrão na última fileira, ouvindo funk. “Pô, meu camarada, põe um fone de ouvido”, peço educadamente. O carinha me olha, levanta o celular e diz que não tem fone de ouvido. E o funk rolando solto. “Na boa, então desliga, né”, peço. “Ah, mas eu quero escutar”, responde ele. “Cara, eu não vou ir até a zona sul escutando funk, tenha santa paciência, ninguém merece”, digo. O carinha faz uma cara de tristeza, mas desliga aquela porcaria. E as pessoas batem palma. O pior: as pessoas estão tão acuadas, com medo da reação desses psicopatas, que temem reclamar. Aí aceitam estas barbaridades. Virei herói.

“Coringa”

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Todo mundo tem aquelas paixões platônicas por artistas, atrizes, atores, músicos. Pois bem, lá estou eu nutrindo uma paixão de milhares de quilômetros pela Jennie Garth, a Kelly do seriado Barrados no Baile. Aí minha namorada à época, a Sandra, que não tinha ciúmes de pessoas de papel e de celuloide, mas sim de carne e osso, cansa de assistir a um dos episódios comigo, levanta da poltrona e deduz: “ Não sei o que você vê nela, ela é dentuça, parece um coelho”. Segundos depois, eu vejo uma cena, e ao invés de ver o rosto da Kelly, vejo o Pernalonga na tela. Putz, brochante. Pior foi mesmo meses depois. Ah, Daniela Cicarelli. Tudo de bom. Não perco um programa dela na MTV. A perfeição em pessoa para mim. Então a Sandra está na cozinha, preparando a janta, vem na sala, dá uma olhada no que estou vendo, e saca, e destrói meu mundo: “Amor, está apaixonado pelo Coringa?”. Valeu. Olho pra tela, e aquela boca da Dani Cicarelli me surge pintada de vermelho, o cabelo dela fica verde. E minha p...

“Iguais”

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Havia um repórter na Rádio Guaíba que tentava esconder de todas as formas a sua homossexualidade, mesmo que tenha sido flagrado inúmeras vezes por colegas e conhecidos em situações comprometedoras pelas ruas de Porto Alegre. E por isso virou motivo de chacota de colegas e, principalmente, do locutor Mario Mazeron, este sim gay assumido. Pois uma vez o Mário está no estúdio preparando –se para apresentar o noticiário, e esperando o Luiz Carlos Reche e o Rogério Bölhke encerrarem os esportes. Aí o tal repórter entra no estúdio segurando uma Playboy. Abre a revista bem no pôster e exclama, bem alto: “Que mulher gostosa”. Ninguém dá bola pra ele, que faz cara de tarado para a revista. E ninguém dá bola. Na terceira vez, o Mário se irrita com aquilo, e dispara venenosamente, com a tal famosa voz de veludo: “Fulano, quem tu queres enganar? Todos aqui sabemos que tu é como eu, gostas de chupar pau e dar o cu”. O Reche tapa o microfone, o Bölhke não consegue segurar a risada e sai correndo d...

“Ver um pornô”

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Nos anos 1980 ver um pornô não era como hoje, ao alcance de um clique no computador. Então a gurizada ficava imaginando como seriam aqueles filmes de mulheres sedentas por sexo. Havia um grupo de guris, imberbes, que se reuniam para almoçar uma vez por semana em algum restaurante “coma tudo o que conseguir por apenas tantos pilas” ali pelo Centro de Porto Alegre. Um dia, levei o pai. E estamos lá, disputando quem come mais vezes, quando um dos guris comenta ter sido barrado num cinema pornô. Me apavoro, pois o pai era todo religioso, ministro da Igreja Católica. Ele olha pro meu amigo, e promete: “Tá aí gurizada, acabem de comer, e vamos ao cinema ver um pornô”. Ninguém acreditou na promessa. Mas ela foi concretizada. Saimos às pressas do restaurante e nos dirigimos ao Cinema Lido, ali quase no final do viaduto da Borges de Medeiros. E com a presença de um adulto, conseguimos entrar, nem pediram identidade. O filme: Caligula, de Tinto Brass. Ora, um semi-pornô, mas já saciou a curio...

“Abelha Rainha”

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Uma amiga minha, mãe de uma guria, já na faixa dos 20 anos, conheceu um carinha, e viu nele o genro perfeito. Cara culto, artista, inteligente, bonito, 30 anos. Sem dúvida, iria apresentar o rapaz para a filha. Ela armou todo o plano, marcou jantinha em casa, abriu o jogo com o possível futuro genro. Não iria colocá-lo numa fria,né? E vai o carinha se sentisse pressionado ou enganado a chegar na casa dela e sacasse a armação. Então foi sincera. E ele topou, afinal de contas a filha de minha amiga é muito bonita. No sábado à noite, o cara chegou lá, levando uma garrafa de vinho. Sentou no sofá da sala, enquanto a minha amiga preparava a janta. Nada da filha aparecer. Afinal, a guria decidiu fazer uma preparação especial. Aí minha amiga chega na sala, começa a colocar a mesa, e o carinha observando, meio tenso. “Daqui a pouco minha filha chega”, diz ela, abrindo o vinho e servindo duas taças. O carinha levanta, brinda, e fica olhando pra ela. “Tu vai gostar muito da Fátima”, garante ...

“Língua preta”

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Uma namorada minha tinha um desejo que era o de transar comigo após eu ter jogado futebol. Mas a ideia da guria era eu não tomar banho após chegar da quadra. Suado, fedendo, ainda com a roupa do jogo. Várias vezes declinei da vontade dela, até que num sábado ela me pegou de jeito. Cheguei em casa, e ela já havia preparado todo o clima. Luz de velas, musiquinha de streap, nuazinha em pelo. “Vamos lá então, se tu quer, não vou ser eu que negarei mais”, pensei. Ela vem, se ajoelha, tira minhas chuteiras, as meias, arranca o calção e começa a fazer um boquete. Segundos depois, ela se engasga e começa a cuspir. Calma, calma, não é o que vocês estão pensando. Ela enfiou a língua nos irmãos gêmeos, e eles estavam cheios daquelas bolinhas pretas feitas de pneus de borracha para segurar a grama artificial. Ela põe a língua pra fora, e ela aparece pretinha daqueles troços. O jeito é correr pro banheiro, encher a boca d’água e ficar cuspindo aquilo. Matou o clima. Desde então, sexo só de banho t...

“Velha guarda”

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O Paulo Moura era um dos jornalistas esportivos da velha guarda, daqueles que não revelavam seu time de coração nem sob a mais intensa tortura. O problema em seu segredo é que ele, com o tempo, começou a deixar pistas, mesmo não querendo. O Mourinha chegava na redação do CP lá pelas seis da tarde, sentava em seu lugar, lá no fundão, e depois de separar o que entraria na edição do dia seguinte, começava a reclamar do Grêmio. Aí eu, o Ilgo e o Possas começávamos a provocar. Nós falávamos do Inter do passado e do presente. E o Mourinha nem se coçava, passando a falar sobre o Guga, o Sampras. Então elogiávamos o Grêmio e ele mordia a isca. Lembrava que o Grêmio bom era o dos anos 1950/60, e sabia a escalação completa dos times de todas as temporadas daquelas décadas. Mas não se dobrava. Eu e o Ilgo tivemos a oportunidade de descobrir o segredo numa festa de Natal da redação do Correio do Povo lá no restaurante Piacevolle, no Rua da Praia Shopping. O Mourinha está num canto, tomando um ui...

"O Paraíso"

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Sabe como é amigo do peito. Tem de ser para todas as horas. Há muitos anos atrás, um camarada e colega de serviço, casado, arranjou uma amante. Sem grana para pagar o motel, ele me pediu emprestado o meu apartamento para transar com ela. Não me neguei a emprestar meu cantinho. Como à época eu morava com uma namorada, tinha de achar uma maneira de tirar a guria de casa sem ela suspeitar. O jeito ela leva-la ao cinema, para que o meu amigo pudesse curtir umas duas horas de luxúrias. Feito. No dia combinado, deixo a cópia da chave com ele, e levo minha namorada para o cinema, num filme beeemmmmm longo. Só peço que ele não deixe nada fora do lugar, troque os lençóis, e por favor, sem camisinhas na cesta do lixo ou qualquer lugar da casa. E sem batom em copos...Saio de casa com medo, apavorado. Imagina se minha guria encontrasse algo? O que eu diria? Bom, afinal de contas deu tudo certo. À noite, quando chego no serviço, o meu amigo e devolve as chaves. “E como foi, tudo certinho?”, per...

“Roqueiro”

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Outro dia me perguntaram se sempre gostei de Rock’n’roll. A resposta foi direta, sempre. Desde que comecei a me interessar por música, este ritmo foi o preferido. Piá, recordo que sofria quando meus vizinhos escutavam disco music. Eu ficava ouvindo aquele som vindo das casas vizinhas, e pensava: Como podem escutar isso? Já meu pai gostava de bandinhas alemãs, sério!, polcas, e a mãe, antes de virar evangélica, curtia boleros, samba, frevo. Nada daquilo me tocava. Eu ainda não havia descoberto rock. Ficava colocando os discos de meus pais para tocar na vitrolinha, e nada. Um dia ganhei um compacto, aquele disquinho que tinha só duas músicas, de um cantor americano chamado Luther Vandross, que fazia música estilo Motown. Nada. Então um dia estou assistindo o Fantástico com meu pai, quando o apresentador anuncia um tal de Rolling Stones. E aparece o Mick Jagger na tela, se retorcendo todo, fazendo beiço pras câmeras, Keith Richards rindo pro Ron Wood, enquanto que na cozinha o Charlie...

O cachorrinho

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Lendo meu livro no ônibus, quando noto uma movimentação ao meu lado. Várias crianças e adolescentes e alguns adultos em volta de alguém. O que será? E dê-lhe elogios, tipo coisa mais linda, que beleza, fofura...então de repente o burburinho se desfaz, revelando uma loiraça deslumbrante com um cachorrinho no colo. Claro, estavam elogiando o dog. Eu penso em latir para a guria, tal sua beleza, que abre um sorrisão de dentes brancos e perfeitos, falando pra mim: “Tu viu, que coisa, né, meu cachorrinho chama mais atenção do que eu”, lamentando-se. “Gente mais insensível e cega”, brinco. Os olhos dela brilham, ela fica me encarando, ainda sorrindo, e penso em dar aquela cantada ridícula (o cachorrinho tem telefone?), mas desisto ao lembrar de uma namorada que tive anos atrás. A guria andava deprimida devido a um acidente, e dei um cachorrinho de presente para ela. Erro fatal. Minha namorada começou a tratar o bichinho como uma criança mesmo. Roupas, sapatinhos, cama, mamadeira. Ih, nem v...

"O silêncio"

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Na oitava série, lá no Paula Soares, tive uma puta de uma vontade de conhecer uma menina, a Simone NB, que era da turma 801. Pois bem, todos os dias preparava o discurso, ficava esperando ela passar pela Praça da Matriz. Aí eu corria atrás dela, e ficava cerca de dois metros atrás, mas não conseguia nem dar oi. A gente entrava no colégio, ela ia pra sala dela e eu pra minha, a 803. E o tempo foi passando. Acabou o ano, começou 1984. E eu sempre encontrando com ela pelas ruas, e nada de falar. Anos depois, fui trabalhar no Tribunal de Justiça, no quinto andar, e quem estava trabalhando no segundo? A Simone. Pegávamos o mesmo elevador, almoçávamos e lanchávamos no mesmo restaurante, no sétimo andar. E o silêncio imutável. Aí descubro que a Christine, que trabalhava na sala ao lado da minha, era irmã da Simone, mas nada de nada. Eu só ficava imaginando como seria a voz dela, se seria uma guria legal. A Christine era. Os anos passaram, casei, e um dia estou num restaurante na Cidade Ba...

"Gaúcho é praga"

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As pessoas ficam me perguntando o que fui fazer no Paraná nas férias? Ora, descobri uma praia tranquila, praticamente vazia, barata por ser baixa temporada, e bonita. E sem querer contato com gaúchos. Bah, a gente vai pra Santa Catarina, e só dá gaúcho, vai pra Sampa, pro Rio, pro Nordeste, pra Buenos Aires, e a gauchada pulula pelas ruas, pelos cantos...aí estou lá em Guaratuba, águas azuis, passeando, ouvindo meus rocks, e vestindo minha camisa do Grêmio, quando vem vindo uns três carinhas, todos gordinhos, e um deles me chama: “Aí cara, tu viu o jogo do Tricolor ontem?” (o Grêmio tinha jogado com o Huachipato no Chile). Dou um tempo na minha caminhada, reconheço nosso sotaque inconfundível, que parece se acentuar mais ainda quando estamos longe, olho para ele, e pergunto: “Bah, tu é gaúcho, né?”. “Sou”. “Bah, véio, na boa, me desculpa, então, mas não vou falar contigo”. No segundo seguinte, reconheço ter sido grosso com o gordinho, porém ele se antecipa. “Puxa, véio, te entendo, o...