“O porre”

No final de 1982, o pai e a mãe separados, decidi ficar na casa de meu velho no Ano Novo, ouvindo música. O pai, porém, se bandeou pra igreja, vivia nela, e a mãe estava com seus irmãos e outros parentes em outro lugar. Então eu e o alemão Sérgio Ludvig resolvemos fazer uma massa com galinha, e compramos um daqueles garrafões de cinco litros de vinho tinto que deixavam os dentes manchados. E começamos a beber, beber, beber...o vinho foi pegando, o som bem alto, a gente estava escutando Van Halen, Kiss, era a época do clássico I Love It Loud. A vizinha era uma gostosa que costumava tomar banho de sol e a gente ia pra janela olhá-la de binóculos. Claro que como era noite, a Simone não estava se banhando né, mas estava lá com os familiares dela, comemorando a chegada de 1983. Eu e o Sérgio chegamos na janela, e começamos a gritar: “Aparece, sua gostosa, gostoooooosa”, e riamos, riamos como se não houvesse amanhã. Repentinamente, meu estômago começa a embrulhar, a fazer um ruído estranho, e o alemão só tem tempo de dar um pulo para trás e eu estou despejando pela boca todo o vinho e a massa consumidos nas últimas horas de 1982. O alemão não conseguia parar de rir. A minha camisa branca ficou roxa e amarela, assim como o chão da sala. E o cheiro...ih...corri pro chuveiro, tomei uma ducha e desmaiei no sofá. Quando acordei no dia seguinte, não sentia minhas pernas, mas o seu Chicão não bronqueou comigo. Passou o dia me dando sopa e suco, enquanto eu fiquei deitado na cama lendo O Corcunda de Notre Dame. E nunca esqueci, na televisão, na Band, passava Assassinato por Morte, uma comédia com Peter Sellers e Truman Capote. Ah, o alemão também desmaiou de bêbado, mas a dona Frida igualmente o perdoou do castigo. Mas como resultado do porre, passei os próximos quinze anos sem colocar uma gota de álcool na boca.

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