“Vitória”

Entro no ônibus, lá pelas nove e meia da noite, após sair do jornal, sento e para não perder o costume vou abrindo um livro. O ônibus vai lotando e minutos depois de sair do final da linha, na Salgado Filho, escuto um barulho irritante. “Lek, lek, lek...”. Viro para trás e uma guria faz um sinal de que não é com ela. Ao lado, outra mulher aponta com o dedo um magrão na última fileira, ouvindo funk. “Pô, meu camarada, põe um fone de ouvido”, peço educadamente. O carinha me olha, levanta o celular e diz que não tem fone de ouvido. E o funk rolando solto. “Na boa, então desliga, né”, peço. “Ah, mas eu quero escutar”, responde ele. “Cara, eu não vou ir até a zona sul escutando funk, tenha santa paciência, ninguém merece”, digo. O carinha faz uma cara de tristeza, mas desliga aquela porcaria. E as pessoas batem palma. O pior: as pessoas estão tão acuadas, com medo da reação desses psicopatas, que temem reclamar. Aí aceitam estas barbaridades. Virei herói.

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