sábado, 13 de junho de 2015

"Pila, pila"

O frio que estava fazendo hoje pela manhã e a caminhada do final da linha do ônibus até o jornal me fez recordar de uma daquelas figuras lendárias do centro de Porto Alegre há algumas décadas atrás. Nos anos 1970 e 1980 havia um mendigo que ficava sentado ali em frente à prefeitura, todo maltrapilho, sujo, a barba e as unhas grandes, com suas sacolas ao redor do corpo. E ele repetia, com a mão direita estendida: "pila, pila", pedindo uns trocados aos passantes. Era o seu ganha-pão, e assim ele passou anos, acabando sendo apelidado do Mendigo Pila. Então numa manhã fria do inverno de 1988, eu caminhava em direção ao trensurb para pegar o trem que me levaria até Esteio e depois fazer a baldeação num ônibus da Central até a Unisinos (à época o trensurb não chegava em São Leopoldo), quando vi várias pessoas paradas no local onde o Pila costumava ficar. E o mendigo estava lá, só que não foi uma visão agradável, pois ele encontrava-se morto. Naquela noite o frio havia sido tão intenso, que o seu corpo não resistiu e sucumbiu ao gelo da madrugada. Foi enterrado como indigente, pois ninguém sabia nome, idade, nada daquele homem, que assim como na vida, teve um triste fim.

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