domingo, 7 de abril de 2013

Pidona

Isso foi no inverno passado. Shopping Paseo, sábado à noite. Encontro a Rosane Sant’Anna e a filha dela, a Júlia, pra comer uma pizza. Aparece um carinha, seus 30 e pouco anos, com uma garotinha, loirinha, olhos verdes. Os dois limpos, roupas simples. E o carinha: “Boa noite, desculpe incomodar, mas a minha filha aqui está com fome, não come há 3 dias”...olhamos pra guriazinha e ela nos olha com aquele olhar do Gato de Botas, pidão...PQP, dá um dó, uma pena, mas sinto no ar cheiro de golpe. Por mais que doa, negamos ajuda. Minutos depois, o primeiro pedaço de pizza desce por demais salgado, o primeiro gole de chopp nada redondo, como diz aquele comercial. Fico com aquela cena na cabeça. Na sexta-feira seguinte, Dream Theater no Pepsi On Stage, lá ao lado do Aeroporto Salgado Filho. Acaba o show e vou encontrar os amigos na frente do ginásio. Alguns comendo cachorro-quente, acompanhado de cerveja ou refri. E quem aparece? O carinha e a guriazinha, com aquele olhar. “Boa noite, desculpe o incômodo, mas minha filha não come faz 3 dias, vocês não podem nos ajudar?”. Claro que ele nem me reconheceu, em outra situação, extremamente oposta. “Pô, cara, tu de novo? Tu estava no Paseo sábado. Pelas minha contas, a tua filha já deveria estar em vias de morrer”...cruel, mas achei necessário. E a guriazinha olhando pro grupo e aquele olhar pidão. Ele pegou a guria pelo braço e se tocou dali. Mas este golpe deve funcionar muito bem, sem dúvida. Daqui a alguns anos, a pirralhinha vai estar comandando algum grupo de batedores de bolsa pelo centro da cidade, infelizmente.

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